Mark Schultz (Channing Tatum) e seu irmão mais velho, Dave Schultz (Mark Ruffalo), são dois medalhistas de ouro, mas que não possuem toda a glória que um dia tiveram por seus feitos. Foi em um destes dias decadentes que um assistente do milionário John du Pont (Steve Carell) entra em contato com o caçula e oferece a chance de que o mesmo entre para a equipe, Foxcatcher, e financiar todo o seu treinamento de luta olímpica para as próximas Olimpíadas. Tentando com as boas notícias Mark aceita e proposta e logo descobrirá a personalidade de du Pont e sobre suas maneiras de pensar.
Miller não é só um diretor que tem uma paixão por histórias reais, pois ele é muito seletivo quanto aos anais que irá adaptar. Se em Capote existe uma discussão de pena de morte, e O Homem que Mudou o Jogo tange sobre as táticas de raciocínio que se tornaram fundamentais para a composição de estatísticas do baseball, aqui temos a concreta fixação de um homem. Nota-se que o cineasta não quer somente contar o que aconteceu, almeja fazer com que os acontecimentos causem impacto e demonstrar a sua importância.
Sem o intuito de modificar o título original, a publicidade brasileira responsável pela elaboração dos nomes para o filme optou pelo subtítulo: Uma História que Chocou o Mundo. Um enorme equívoco por parte deles devido ao fato de nada na obra ter sido realmente marcante. Certamente, a frase se refere à passagem final da trama, que de fato é “chocante”, se levarmos em consideração o ritmo propositalmente lento da obra, mas ainda não vemos nenhuma história que tenha afetado gerações, porque é de duvidar o consentimento tudo isso por aqueles que não acompanham o esporte.
A impressão que se tem é que fora feito uma introdução de duas horas para explicar um fato que acontece nos últimos cinco minutos de projeção. Isto é visto porque o filme não foca em nada além dos personagens inseridos. Em vários discursos, du Pont fala sobre trazer a esperança para a América e o papel de um treinador, algo que não soa coeso em momento algum, já que esses discursos são apenas colocados para representar a fama do ricaço e não como frases que construam sua personalidade (pois quem assistir o filme saberá que a função de técnico de du Pont é tratada de forma banal). O mesmo de se diz da família de Dave, este que antes tinha mil desculpas para não aceitar a proposta de financiamento, mas que de uma hora para outra decide se agregar à equipe. É esta falta de sutileza que gera a superficialidade do filme de Miller.
É bem verdade que o trunfo dos trabalhos de Bennett é o seu tato em escalar de dirigir atores. Em todos os seus filmes os protagonistas e coadjuvantes compuseram a essência da persona que interpretavam. Desta vez temos brilhantes trabalhos de corpo por parte dos atores, pois é sabido que representar atletas não é uma tarefa fácil e para isso tem-se a fantástica maquiagem de Bill Corso e Dennis Liddiard, que capricharam nas próteses e trazem alguma semelhança para certos atores.
Carell, de fato, rouba a cena, não por sua caracterização, mas por transformar um personagem confuso em quase racional; ele sofre com a falta de apoio da mãe (uma pequena, porém necessária participação de Vanessa Redgrave) e da falta de amigos que o dinheiro lhe trouxe, mesmo sendo quase um idoso é um milionário ainda mimado que usa sua fortuna para conseguir comprar pessoas e não amigos, então por mais que seja esta figura tão temida ele é visto como um homem sofredor, com conflitos sobre a sexualidade e capacidades. É triste que desde o início, du Pont é representado com enorme tensão em cena e causa de imediato uma antipatia com o próprio, ou seja, o espectador apenas espera a cena em que tudo explodirá. Tatum investe mais no seu porte, o seu jeito de andar e seu rosto incrustado retratam e contrastam bem com as dores de Mark, suas próteses de cicatrizes e deformações faciais são sutis, mas eficientes. Ruffalo tem mais uma chance de exercer sua forma mimética dos personagens reais e mais uma vez fracassa, tal como seu rebolado e gestos forçados em The Normal Heart de 2014. E seu modo de andar e lutar ele tenta parecer natural, com sua postura e forçando os olhos, mas acaba por deixar ainda mais óbvio que trata-se de um interpretação que não faz a menor questão de ser sutil, afora isso ele faz o seu melhor para interpretar o personagem menos explorado da trama, trata-se de um homem que apenas conflita com o técnico durão e serve de cérebro e senso de responsabilidade para seu irmão.
É preciso dizer sobre a composição da cena de Miller, que diga-se de passagem, vem a ser brilhante, em especial para Channing Tatum. “Macaco Ingrato”, diz em certa passagem, du Pont para se referir ao atleta, esta frase não só tem um força pejorativa, mas mostra a ingenuidade do garoto em ser tão impulsivo e leviano para com os compromissos que assumiu e as consequências que estão trazendo. Perceba que em várias cenas, Tatum, realmente se comporta como um primata: ao estar seminu e agachado em frente ao homem que o alimenta, acrobacias durante o treino e suas expressões que se assemelham ao animal. Além disso, se vê a direção de arte de Jess Gonchor contribui ainda mais para causar esta impressão, com o teto baixo da ala de treinamento e demonstrando a paixão do técnico por pássaros nas cenas onde decoração é composta por aves empalhadas ou os papéis de parede lembram os animais. Até mesmo a John, que pede para ser chamado de Águia, tem uma postura e aparência que se assemelha a ela (numa tentativa ridícula de modificar a aparência para forçar essa caracterização de uma pessoa que, na realidade, não possuía estes traços).
A fotografia de Greig Fraser não só é magistral nos enquadramentos, mas também no processo de cor do filme, tons de cinza reinam e ainda dão destaque do azul e vermelho (cores da América) nos uniformes dos lutadores. O roteiro de Dan Futterman consegue convencer, mas é prejudicado pelas falhas da construção dos personagens centrais e na artificialidade com que os fatos ocorrem.
Vencedor do prêmio de Melhor Realizador no Festival de Cannes (mostrando mais uma vez que o júri americanizado, por vezes, não sabe escolher bem os vencedores), Bennett Miller entrega uma obra eficiente, mas que não teve o mesmo tato na elaboração como teve em seus trabalhos anteriores. Por mais que tenha seus méritos, Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo sofre com a imensa quantidade de equívocos e banalidades de uma trama interessante, mas que, mesmo depois do lançamento do filme, continuará sem chocar ninguém.
Eiii! Você foi indicada pelo nosso blog para responder a tag liebster Award.Ta tudo explicadinho aqui: http://aconselhar-te.blogspot.com.br/2015/01/tag-liebster-award.html , confere lá, vale a pena para a divulgação do blog!:)
ResponderExcluirWrestling é um esporte e tema central desta produção, que conta a história de dois irmãos que estão distanciados por um treinador milionário que só pensa em sua própria vantagem. Foxcatcher é um drama que gradualmente evolui e que vai manter atenta do início ao fim. Definitivamente vale a pena rever.
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