Por Luis Ribeiro
O trailer era bárbaro. Um silêncio ensurdecedor tomava conta do vídeo para dar espaço aos diálogos marcantes do antagonista que revela uma citação direta ao clássico de Disney, Pinóquio, só que bem mais macabra desta vez. Além disso, o filme já começa com um belo plano sequência dos protagonistas revelando seus dons e já saberem como usá-los para trabalhar em equipe. Logo se vê que a expectativa não era pequena e é fato que foi frustrada de diversas formas ao completar a sessão.
Unidos novamente, Os Vingadores já se tornaram ícones em todo o globo por seus feitos e após terem salvado milhares de vidas da destruição iminente há alguns anos. E, após recuperarem o cetro de Loki dos agentes remanescentes da Hidra descobrem, acidentalmente, o segredo para a Inteligência Artificial através do objeto. Deste material que nascerá Ultron, uma espécie de consciência que foi criada para salvar a humanidade, porém esta interpreta que para isso é necessário extingui-la, à começar pelos Vingadores.
Temos, de fato, uma premissa interessante e que mostra uma evolução do roteiro do primeiro trabalho para este. Enquanto o primeiro se baseava apenas em apresentar seus heróis para que estes parecessem o mais carismáticos possível e mostrando cenas de batalha que pareciam ser dirigidas por um certo diretor que faz filmes de robôs gigantes, aqui é proposto algo mais conceitual e próspero para debates.
Joss Whedon e companhia escrevem novamente o roteiro. Como já dito, exploram algo muito mais intelectual dentro do possível, para parecerem imparciais. Algo que não é um defeito, embora possa incomodar alguns personagens parecerem extremamente influenciáveis por frases bonitas e audíveis como música para justificar atos irresponsáveis (como o caso de Bruce Banner). Entretanto, é bem óbvio que existe uma maturidade e consistência da parte dos roteiristas nas escolhas de temas.
Uma prova seria que tem-se uma material mais pessoal do heróis, ou seja, existe um perigo direto a eles, uma vez que toda a burocracia governamental extremamente chata da S.H.I.E.L.D foi finalmente abolida (em parte). Claro que o enredo ainda sofre com a forma de a Marvel criar seus filmes dependendo de um contato razoável do material em quadrinhos, pois só assim essas adaptações podem ter algum mínimo sentido quando analisadas à longo prazo.
E se Whedon mostra-se um roteirista competente nesta sequência o mesmo não pode ser dito de sua direção. Ele usa os mesmo artifícios do primeiro filme nas cenas de ação que não podiam ser mais decepcionantes. Repare na esperada batalha entre Homem de Ferro e Hulk. É tão rápida e mal conduzida que não possui presença alguma, poderia facilmente ter sido retirada que nenhuma diferença faria no resultado final.
Esses excessos são tropeços igualmente graves. A epifania de Thor é mal explicada; a lavagem cerebral feita pela Feiticeira não é de fato relevante em nada; o irmão da mesma surge apenas como um capanga que segue tendências do roteiro. Esse mutante (porque sabemos que ele é um X-Man), assim como todos os outros heróis, é descrito sem muito aprofundamento e seu destino, que deveria soar trágico, é perfeitamente esquecível e sem impacto (saudades Evan Peters). Mostrando mais uma vez a incompetência do diretor em conduzir tramas dramáticas também.
Fica visível esta falha no flerte entre Viúva Negra e Banner, ocupando espaço demais na trama e serve apenas como alívio dramático dos “Amantes Desafortunados”. Chega a ser curioso ver a personagem de Scarlett Johansson ter algum apelo amoroso concreto, pois em todos os filmes que é inserida ela é constantemente posta para seduzir os heróis, já que quase 10 anos depois do primeiro filme de um dos Vingadores ser lançado ela continua (até o momento) sendo a única mulher a integrar o time.
Porém, se tem algo que Era de Ultron acerta é no antagonista, dublado e facetado esplendidamente por James Spader. O vilão nasce torto e mal formado com sua voz lembrando a de um demônio em filmes do gênero, deixando a música que canta ainda mais sinistra (embora não faça sentido ter sido inserida). Seus diálogos são baseados em algo que já ouvimos várias vezes, mas entregam uma boa originalidade de pensamentos.
Os Vingadores ainda parece não saber o filme que é. Pois apesar de engrandecer constantemente seus personagens, não faz o mesmo com seu próprio material. Não é um trabalho memorável até para os menos exigentes. De fato, apenas investe em sua longa duração e sua tentativa inútil de fazer com que tenha-se espaço suficiente para uma quantidade absurda de heróis.
Apesar de Spader, como dito, tenha maior destaque, é inegável ver que Mark Ruffalo tenta, fisicamente, conter seu mostro através de sua postura e Robert Downey Jr. mostra que não está tão em forma para interpretar um personagem (que pessoalmente nunca achei bom ou engraçado) como o gênio Stark, algo notável pelo fato de qualquer coisa que envolva a Marvel no cinema estar diretamente ligada ao nome dele, devido a fama do ator.
Era de Ultron é um projeto bem mais audacioso e consistente do que seu antecessor, mas peca em ser comandado por um diretor pouco inspirado e que se mostrou inapto em realizar um projeto de tamanha dimensão. Resta torcer para que a fase três da Marvel tenha ranços que favoreçam as adaptações, pois recurso é o que não falta.
O trailer era bárbaro. Um silêncio ensurdecedor tomava conta do vídeo para dar espaço aos diálogos marcantes do antagonista que revela uma citação direta ao clássico de Disney, Pinóquio, só que bem mais macabra desta vez. Além disso, o filme já começa com um belo plano sequência dos protagonistas revelando seus dons e já saberem como usá-los para trabalhar em equipe. Logo se vê que a expectativa não era pequena e é fato que foi frustrada de diversas formas ao completar a sessão.
Unidos novamente, Os Vingadores já se tornaram ícones em todo o globo por seus feitos e após terem salvado milhares de vidas da destruição iminente há alguns anos. E, após recuperarem o cetro de Loki dos agentes remanescentes da Hidra descobrem, acidentalmente, o segredo para a Inteligência Artificial através do objeto. Deste material que nascerá Ultron, uma espécie de consciência que foi criada para salvar a humanidade, porém esta interpreta que para isso é necessário extingui-la, à começar pelos Vingadores.
Temos, de fato, uma premissa interessante e que mostra uma evolução do roteiro do primeiro trabalho para este. Enquanto o primeiro se baseava apenas em apresentar seus heróis para que estes parecessem o mais carismáticos possível e mostrando cenas de batalha que pareciam ser dirigidas por um certo diretor que faz filmes de robôs gigantes, aqui é proposto algo mais conceitual e próspero para debates.
Joss Whedon e companhia escrevem novamente o roteiro. Como já dito, exploram algo muito mais intelectual dentro do possível, para parecerem imparciais. Algo que não é um defeito, embora possa incomodar alguns personagens parecerem extremamente influenciáveis por frases bonitas e audíveis como música para justificar atos irresponsáveis (como o caso de Bruce Banner). Entretanto, é bem óbvio que existe uma maturidade e consistência da parte dos roteiristas nas escolhas de temas.
Uma prova seria que tem-se uma material mais pessoal do heróis, ou seja, existe um perigo direto a eles, uma vez que toda a burocracia governamental extremamente chata da S.H.I.E.L.D foi finalmente abolida (em parte). Claro que o enredo ainda sofre com a forma de a Marvel criar seus filmes dependendo de um contato razoável do material em quadrinhos, pois só assim essas adaptações podem ter algum mínimo sentido quando analisadas à longo prazo.
E se Whedon mostra-se um roteirista competente nesta sequência o mesmo não pode ser dito de sua direção. Ele usa os mesmo artifícios do primeiro filme nas cenas de ação que não podiam ser mais decepcionantes. Repare na esperada batalha entre Homem de Ferro e Hulk. É tão rápida e mal conduzida que não possui presença alguma, poderia facilmente ter sido retirada que nenhuma diferença faria no resultado final.
Esses excessos são tropeços igualmente graves. A epifania de Thor é mal explicada; a lavagem cerebral feita pela Feiticeira não é de fato relevante em nada; o irmão da mesma surge apenas como um capanga que segue tendências do roteiro. Esse mutante (porque sabemos que ele é um X-Man), assim como todos os outros heróis, é descrito sem muito aprofundamento e seu destino, que deveria soar trágico, é perfeitamente esquecível e sem impacto (saudades Evan Peters). Mostrando mais uma vez a incompetência do diretor em conduzir tramas dramáticas também.
Fica visível esta falha no flerte entre Viúva Negra e Banner, ocupando espaço demais na trama e serve apenas como alívio dramático dos “Amantes Desafortunados”. Chega a ser curioso ver a personagem de Scarlett Johansson ter algum apelo amoroso concreto, pois em todos os filmes que é inserida ela é constantemente posta para seduzir os heróis, já que quase 10 anos depois do primeiro filme de um dos Vingadores ser lançado ela continua (até o momento) sendo a única mulher a integrar o time.
Porém, se tem algo que Era de Ultron acerta é no antagonista, dublado e facetado esplendidamente por James Spader. O vilão nasce torto e mal formado com sua voz lembrando a de um demônio em filmes do gênero, deixando a música que canta ainda mais sinistra (embora não faça sentido ter sido inserida). Seus diálogos são baseados em algo que já ouvimos várias vezes, mas entregam uma boa originalidade de pensamentos.
Os Vingadores ainda parece não saber o filme que é. Pois apesar de engrandecer constantemente seus personagens, não faz o mesmo com seu próprio material. Não é um trabalho memorável até para os menos exigentes. De fato, apenas investe em sua longa duração e sua tentativa inútil de fazer com que tenha-se espaço suficiente para uma quantidade absurda de heróis.
Apesar de Spader, como dito, tenha maior destaque, é inegável ver que Mark Ruffalo tenta, fisicamente, conter seu mostro através de sua postura e Robert Downey Jr. mostra que não está tão em forma para interpretar um personagem (que pessoalmente nunca achei bom ou engraçado) como o gênio Stark, algo notável pelo fato de qualquer coisa que envolva a Marvel no cinema estar diretamente ligada ao nome dele, devido a fama do ator.
Era de Ultron é um projeto bem mais audacioso e consistente do que seu antecessor, mas peca em ser comandado por um diretor pouco inspirado e que se mostrou inapto em realizar um projeto de tamanha dimensão. Resta torcer para que a fase três da Marvel tenha ranços que favoreçam as adaptações, pois recurso é o que não falta.