domingo, 27 de julho de 2014

Crítica - Transformers: A Era da Extinção


Por Luis Ribeiro

Transformers é inegavelmente uma franquia com uma equipe técnica muito dedicada e que capricha nos efeitos visuais e sonorosos, além de agradar a muitos pelo design dos grandes robôs imponentes de cada filme, pois devemos admitir que eles são muito bem arquitetados, portanto seu trabalho deve ser valorizado, já que isso exige muito do profissional da área. Mas se você, leitor, tem algum tipo de afeto a qualquer um destes filmes, aviso desde já que os elogios não passarão deste parágrafo.

Em 2007 o primeiro filme desta franquia arrecadou muito dinheiro, e certamente não é tão medonho assim. Ninguém joga dinheiro no lixo, então nada mais lógico do que fazer uma continuação, só que alguém teve a brilhante ideia de fazer uma obra, cujo valor ultrapassa os duzentos milhões, em meio a uma greve de roteiristas; o resultado foi Transformers: A Vingança dos Derrotados, um dos filmes mais ridículos que a humanidade já conheceu. Há pessoas que dizem que o terceiro filme (O Lado Oculto da Lua) é superior ao seu antecessor, eu discordo. Acho o terceiro capítulo tão inútil e enfadonho quanto o segundo. Mas estamos falando de Michael Bay dirigindo, ou seja, nada faz sentido quando se tem uma edição absurdamente rápida e cenas de explosões em excesso.

Está nova sequência muda (não que isso faça alguma diferença) os protagonistas da história. Cade Yeager (Mark Wahlberg) é um engenheiro\inventor que precisa de dinheiro para custear o sustento de sua família, que é composta apenas por sua filha, Tessa (Nicola Peltz). Para isso ele trabalha concertando coisas, como um caminhão velho que achou em um cinema (!) abandonado, entretanto ele não fazia ideia de que o automóvel era na verdade o líder os Autobots, Optimus Prime. Mas alguns anos se passaram desde a batalha dos Autobots contra os Decepticons em Chicago; este conflito foi tão catastrófico que o governo decidiu não só banir, mas extinguir qualquer presença alienígena no planeta Terra, algo que se tornará um erro devido a situações atuais que o planeta se encontra em relação ao resto do universo.

Não vou mentir e dizer que não cogitei não assistir a nova empreitada de Bay, não só por se tratar de Transformers, mas é que o diretor parece ter prazer em torturar as pessoas que ousam pagar para assistir tal coisa, já que ele não consegue fazer um filme que dure menos de duas horas, pelo contrário, ele arrasta o enredo para que a duração atinja quase os 180 minutos. Ou seja, não basta ser ruim, precisa ser imenso também. Sejamos sinceros e vamos admitir que a menor das preocupações do diretor é com elementos básicos que todo o filme obedece, mas ele parece ter algum dificuldade em aprende-los, como: roteiro e edição. Nada no enredo faz sentido, podemos ver isso quando o protagonista consegue achar um caminhão dentro de um sala de cinema...quero dizer, como ele conseguiu entrar ali? Mas isso não importa, como eu já disse, é Transformers. Aponto também que os núcleos do filme tentam ter uma relação entre si, mas sem sucesso, como já era de se esperar, porque os gigantes brigam, se destorem e explodem, só que o motivo não é convincente; é difícil o espectador se empolgar com a trama, ela é chata e ilógica, já que o motivo de tantas guerras entre homens e robôs é só um mero detalhe e não necessita de maiores explicações, na mente de Bay. E já que voltamos a falar do diretor, não posso dizer que ele seja um incompetente completo no que faz, pois existe uma cena onde um dos personagens – dono do cinema – afirma não gostar dos filmes atuais, pois são apenas refilmagens e sequências horríveis, uma autocondenação que eu chego a duvidar se foi proposital ou não, pois vindo do “visionário” Michel tudo pode acontecer.

Bay parece estar convencido de que é um cineasta que possui algum talento, já que usa tantas técnicas ousadas, mas que fazem do filme ainda pior do que já é (assim como o 3D, neste caso), exemplos seriam os irritantes travellings circulares e os diálogos que ele explora com seus atores; mais de uma vez ele nos dá a entender que tem a mentalidade de um menino de 13 anos quando se trata de mulheres, quando seus personagens se referem a um metal que compõem robôs combatentes de cinco metros de altura como: “Erótico, como as mulheres”, um adjetivo no mínimo ofensivo, tanto quanto mostrar mulheres brancas e curvilíneas somente para deixar o filme mais agradável, já que todo o mundo sabe que o único público desta obra é composto por homens que são fissurados em carros, e ninguém mais.

A bizarrice gira em torno dos personagens, isso chega a ser risível porque nenhum deles é bom. Mark Wahlberg surge como o papai gostosão que, claro, usa as camisas do tamanho mais justo, coisa que só pode ter duas justificativas, ou para mostrar o quanto o ator, de 43 anos, está frequentando a academia e se “alimentando” corretamente, ou para agradar as apreciadoras de tal porte. Mas acalmem-se rapazes, pois Nicola Peltz também tem roupas coladas e shorts bem pequenos, tornando-a o símbolo sexy mais inútil desde as interpretações de Megan Fox, que, ora vejam só, também fez Transformers. A dupla tem um discurso de pai e filha que é a coisa mais chata do mundo, juntamente com uma questão de independência dos filhos que não absolutamente nada a ver com a história; para completar tem-se uma briga entre genro e sogro completamente descartável. Junto ao elenco está Stanley Tucci que surge para dar os alívios cômicos e os comentários grosseiros nas horas erradas, mostrando mais uma vez a incompetência de quem escreveu esta sequência, o mesmo acontece com T.J. Miller, a figura mais insuportável na trama toda, seu destino talvez seja um dos elogios que deveria ter mencionado no primeiro parágrafo. O elenco tem outros nomes, como o de Thomas Lennon, que literalmente não faz nada em cena.

Certamente os Autobots e os Decepticons têm um antepassado semelhante ao dos serem humanos, que outra desculpa explicaria a forma de um robô gigante que tem a aparência e, pior ainda, usa frases (cafonas) de um mestre samurai, no mesmo momento em que seus colegas alienígenas falam o quanto os seres humanos são medievais e inferiores a sua raça oriunda de outro planeta (algo de que estou esperando uma prova desde o primeiro filme). E de onde, de fato, vieram os Dinobots? E porque deixaram ser dominados por Optimus Prime? Não tem uma explicação lógica, mas existe uma mercadológica, para a presença de tais personagens, que por sua vez são muito mal utilizados e só causam mais barulho e explosões por onde passam, como se os robôs originais não fizessem estrago suficiente. Talvez o espectador se divirta, ainda mais se estiver acompanhado, em contar a quantidade de logotipos expostos de maneira óbvia; mas atenção porque são muitos e o filme é longo.

Mas vamos viajar para Pequim (porque a África já foi muito destruída e nem se fala da América do Norte) onde tudo que existe de pior do filme se mostra, note como é incrível a sorte que os humanos têm em não ser mortos acidentalmente por nenhum robô gigante. Tendo a China como palco é mais do que evidente que todos os habitantes de lá são mestres em artes marciais, porque deve ser contra a lei não ser, segundo Hollywood. Além de disso, por que os únicos sobreviventes de todas as batalhas são sempre Optimus Prime, Bumblebee e Megatron (este último não sei porquê ainda se dão ao trabalho de matar a cada filme, pois ele sempre acaba por achar um forma de ressuscitar a cada sequência) ? E como um simples engenheiro conseguiu consertar um gigante de cinco metros, feito de um metal pouco conhecido na Terra e ninguém jamais obteve sucesso em ajudar Bumblebee com seu problema de voz?

Óbvio que existem pessoas que gostem de ver gigantes brigando e explosões cuidadosamente cronometradas para aparecer a cada 25 segundos, encaixadas em uma edição muito pobre, mas eu não consigo imaginar ninguém que não implore para que as luzes sejam acesas depois de uma hora de projeção, pois todos já estão satisfeitos.

O quarto capítulo de Transformers é um “filme” exageradamente longo e estupidamente realizado, com uma direção muito óbvia e atuações discutíveis, mas que para a tristeza de muitos digo com confiança que essa enorme fábrica de fazer dinheiro ainda tem muito combustível para mais cópias. O próprio espectador que tire suas conclusões, pois na cena final um dos protagonistas pergunta a Prime se eles vão tornar a se ver, a resposta do líder é um simples “Eu realmente não sei”. Mas, acalme-se, eu sei a resposta e não gosto nem um pouco dela.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Crítica - Planeta dos Macacos - O Confronto


Por Luis Ribeiro

Hollywood pode ter um enorme poder de opinião, já que cria filmes que milhões de pessoas assistem e, sejamos sinceros, várias delas tem a mente vazia e indisciplinada independente da idade. Por isso é frustrante ver que muitos dos filmes que entretêm a grande massa, não prestam. Além de ser um desperdício enorme de oportunidade é um crime contra as mentes mais eruditas e que mantêm valores. Mas, uma vez ou outra, algumas dessas obras usam sua popularidade para fazer jus ao seu papel no cinema, que é transmitir cultura e uma mensagem social; melhor ainda é quando os filmes usam a modernidade e seu impacto visual para auxiliar nessa transmissão. Filmes assim eu ouso citar nomes como: Jogos Vorazes, RoboCop (2014) e Noé. Para esta lista entra hoje: Planeta dos Macacos – O Confronto.

Em pleno 2014 temos inúmeras guerras ao redor do mundo, como na Síria e na Palestina, onde os povos parecem nunca cessar os ataques. E no Brasil temos congregações políticas (mas não generalizadas) que apoiam o aborto, mas que penalizam pais que constroem caráter de seus filhos por meio de “palmadas”; políticos homofóbicos que insistem em não dar direitos a pessoas que se relacionam com o mesmo sexo e, homossexuais teofóbicos que, por um motivo ou outro, acham que as igrejas são nazistas, além de deputados que frisam ser uma boa ideia expor pornografia para crianças menores de 6 anos com a desculpa de “jovens precisam expor sua sexualidade desde cedo”, mesmo que isso signifique promiscuidade na educação infantil. Com essas afirmações nota-se que é impossível existir paz entre os homens, pois eles estão em constante guerra com suas definições éticas e é justamente essa discussão que é abordada neste ótimo novo filme de Matt Reeves.

Dez anos se passaram desde a revolta dos macacos que foram geneticamente alterados em São Francisco, pois foram usados para o teste de uma droga que acabou se tornando um vírus para os humanos. Esta epidemia, denominada: gripe símia, matou uma quantidade enorme de pessoas ao redor do planeta, apenas um pequeno grupo de imune a este mal conseguiu sobreviver, simultaneamente os primatas construíram sua sociedade, pois estão mais inteligentes e não são meros animais sem raciocínio lógico. Mas os seres humanos que restam em São Francisco estão sem energia e sua única esperança é uma usina há muito abandonada que pode salvar os seres humanos, o problema é que este local está no território dos macacos que vêm os humanos como ameaças. Cabe a um grupo pequeno de pessoas convencerem os macacos a deixaram entrar em suas terras, o resultado desta escolha acarreta em um destino decisivo para ambas as espécies.

Depois do excelente primeiro filme, Matt Reeves (dos discutíveis Cloverfield - Monstro e do remake americano Deixe-me Entrar (2010)), nos consagra mais uma vez com uma obra lindíssima e muito bem estudada, escrita por Rick Jaffa, Amanda Silver e Mark Bomback, seis mãos que tiveram trabalho em construir novo cenário e uma nova história tão convincente quanto o original. Apesar de eu achar que o primeiro filme é muito mais expositivo e bem melhor ritmado, este também coleciona coisas boas, mas também tem seus deslizes.

O elenco é um deles, os atores que interpretam humanos não tem tanto carisma quanto o elenco do filme anterior e nem tampouco tem uma profundidade maior em desenvolvimento, no início da projeção o espectador já sabe quem é “do bem” e quem não é, e preciso mencionar sobre o personagem de Kirk Acevedo, que vem a ser o babaca do filme, (fato que ele mesmo admite em cena) e como tal precisa fazer todas coisas que pessoas assim fazem neste tipo de filme, subestimar os adversário e por em risco a vida dos amigos. Já o elenco central composto por Jason Clarke, Keri Russell e Kodi Smit-McPhee não tiram grandes suspiros e não marcam cena algum com suas atuações, mas também não decepcionam, os atores trabalharam bem e receberam o salário. Mesmo assim é muito incômodo ver a falta de brilho em Gary Oldman que foi muito mal utilizado em cena, com um vilão muito caricato.

Porém é interessante ver que os personagens humanos se relacionam indiretamente com os interpretes de macacos, pois a vingança da interpretação Oldman, de um homem que perdeu a família pelo vírus que, supostamente, os macacos transmitiram, para muitos se compara com o espírito de ódio de Koba (digitalmente interpretado por Toby Kebbell), mas este último é muito mais individualista e violento, enquanto que Dreyfus (Gary) pensa, de maneira errada, em um bem comum e sente nas costas a responsabilidade de manter a raça humana viva. Por este motivo eu o comparo com Cesar (estupendamente criado pelo insubstituível Andy Serkis) que é o líder da nova era dos macacos e ele mais do que ninguém sabe o quão eles podem ser perigosos então desenvolve uma cadeia disciplinar para ensinar aos demais as questões éticas de sua sociedade, que não tolera homicídios entre os si; a diferença entre Dreyfus e Cesar é que o primeiro sente-se superior, pois o darwinismo diz que é assim; e que por meio da guerra que se consegue as coisas, o segundo tem a opinião que duas espécies tão violentas devem ficar separadas para que evitar maiores estragos para ambas, ou seja, sem guerra tudo se resolve. Nestas comparações Koba está para Carver(Acevedo), egoísta e violento, assim como Malcolm está para o filho de Cesar, cauteloso e indeciso em saber quem está certo.

Não me importa quem vai estar indicado ao Oscar 2015, se Andy Serkis não estiver entre eles Hollywood estará oficialmente em decadência; pois se Lupita Nyong'o consegue uma estatueta por aparecer doze minutos em cena, Serkis merece duas por seu desempenho de duas horas. Mas aí que mora o perigo, caro leitor, pois se todos cuidasse da sua própria vida tudo seria maravilhoso, mas não é assim que o mundo gira. É a reputação de um que gera e fama de muitos. Um humano matou um macaco, então todos são iguais a ele. Um macaco assassinou um humano, logo todos devem pagar. É um ou outro indivíduo que gera as grandes discussões, cabe a você saber a quem seguir.

Eu, certamente, estou me alongando em questões morais, mas é a partir delas que o filme é construído e de como o medo consome as pessoas a as faz diferente; como a superioridade corrói os valores de uma sociedade. Note no filme o que os personagens se tornam ao tocarem em armas de fogo. Em suma, e falando cinematograficamente, o roteiro se estabelece com muita frieza, não há espaço para o humor, pois mesmo quando ele se insinua é logo substituído por cenas de tensão; os roteiristas acertaram em cheio em não favorecer a nenhum lado, cabe ao espectador dizer o que é certo e o que não é. Os efeitos são belíssimos, por mais que grande parte dos primatas sejam chimpanzés é impossível o espectador se confundir, todos tem uma aparência única em suas feições. Palmas para a equipe de design sonoro, visual e de produção, pois é possível confundir animais de verdade com os representados em cena, se algum deles de fato era de carne e osso eu não sei distinguir qual era. O filme está em constante agitação, em nenhum momento é passado uma sensação de calma ou de serenidade, é como se estivessem sempre em perigo. Mas como disse antes, este novo trabalho é mais “teórico”, pois explica como é a sociedade dos macacos e rapidamente fala como viemos parar ali, pois o que passou, passou e isto é que estamos vivendo agora. Entretanto esse elemento se torna incômodo, já que o filme tem mais de duas horas e em certos momentos chega a ser tedioso, acredito que trinta minutos poderiam ter sido tirados se algumas sequências fossem mais rápidas. Mas grande parte disso é compensado pela ação, construída otimamente pela originalidade do diretor e sua equipe.

Planeta dos Macacos – O Confronto tem um roteiro redondinho e funciona muito mais com a mensagem que quer passar do que com aspectos de cinema, mas não desaponta aqueles que querem entretenimento, mas dessa vez vão ter com muito fundamento social. J.J. Abrams recentemente largou a direção da franquia Star Trek para se dedicar a Star Wars e como seu substituto ele apontou Reeves para assumir o trabalho. Confesso que não sou o maior apreciador de épicos espaciais, mas com certeza, se a indicação de Abrams se concretizar eu irei assistir o novo Star Trek e (por favor, produtores!) o novo Planeta dos Macacos com muito mais entusiasmo.
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