Por Luis Ribeiro
Se formos prever o futuro da
humanidade de acordo com as obras literárias adolescentes da atualidade, ele,
certamente, não será nem um pouco agradável, pois por mais que esses livros
tenham personagens e cenários diferentes, a premissa é sempre a mesma: jovens,
com menos de vinte anos, desempenham um papel extremamente importantes para uma
sociedade pós-apocalíptica, até que chega um indivíduo que se diferencia dos
outros e começa uma nova revolução (comumente temos uma mulher como vilã da
história).Tem sido assim há alguns anos, e por mais que vários livros deste
universo sejam interessantes, existem aqueles que são completamente
descartáveis. Cedo ou tarde as obras são transformadas em filmes (estimulando e
popularizando a obra original) e assim começa toda uma ladainha sobre
fidelidade às páginas e a ética do cinema. Estes livros podem ter seu potencial
explorado, resultando em uma adaptação digna (como os livros e os filmes da
franquia Jogos Vorazes, ambos ótimos); outros não tem tanta competência (como o
fraco Divergente, em todas as formas; o mesmo se diz do recente, O Doador de
Memórias e do medonho filme de Ender’s Game – O Jogos do Exterminador). Mas a
finalidade deste parágrafo é dizer que Maze Runner fica em cima do muro, pois
está longe de ser uma adaptação infanto-juvenil memorável, mas com certeza não é um
filme ruim.
Thomas (Dylan O’Brien) é enviado até uma fortaleza, denomina Clareira, onde habitam apenas garotos adolescente. Neste local os meninos criaram um sistema de vida eficaz que os protege de todos os perigos e os faz viver em harmonia. O problema desta nova casa é que ela é cercada por um labirinto monumental que os faz reféns de algo que ninguém nunca soube o que é. Para tentar escapar os rapazes tentam, sem descanso, decifrar o labirinto durante 3 anos, sem nenhum resultando, uma vez que a muralha serve de casa para os temidos Verdugos. Essa é a rotina dos garotos, mas tudo é abalado após a chegada de Teresa (Kaya Scodelario), a única menina que foi enviada para a Clareira.
Antes de tudo é preciso deixar claro que livros são livros e filmes são filmes, e quando um contrato é assinado pelo autor da obra (no caso, James Dashner) a produtora e os roteiristas têm grandes liberdades para com o conteúdo, ou seja, não faz o menor sentido exigir fidelidade total porque elas são raras e as mudanças no enredo são consequências da migração da história original para a adaptada; sempre foi assim e vai continuar sendo. Logicamente algumas migrações são exageradas e acabam por estragar uma premissa interessante do livro e em outros casos o material fonte é muito falho e esses seus defeitos são corrigidos em sua adaptação.
Devo admitir que li o livro e que senti falta de vários elementos presentes nele, no filme. Não porque eles eram “importantes”, mas porque tinham mais lógica e eram perfeitamente adaptáveis à história. Entretanto, devo reconhecer que vários componentes da produção são bem mais satisfatórios do que os descritos no material impresso.
(mas quem não leu, fica aqui minha indicação, porque trata-se de um exemplar bem interessante, apesar de ele ter alguns problemas de ritmo e personagens) até porque está crítica é voltada ao filme.
E um grande problema deste projeto é o próprio labirinto, ele é o grande antagonista da história, porém é subestimado no decorrer do filme. A sua resolução dependeu muito da sorte e de acontecimentos recentes, ou seja, nada em 3 anos de busca resultaria em nenhuma saída, porque nem Thomas e tampouco Teresa estavam presentes neste período. Simples assim.
Esta é a estreia do diretor Wess Ball, que se mostra muito competente e também seguro em sua primeira produção, além de investir em uma ousadia que vários veteranos não teriam coragem. Não há créditos iniciais, o filme simplesmente começa com o espectador sabendo tanto quanto o protagonista (ou seja, nada). O realizador usa e abusa de vários ângulos e movimentos de câmera. Ora utilizando o plongeé e contra plongeé logo de início para representar a chegada do novato, para logo depois partir para uma cena de corrida e finalizar com travellings circulares mostrando onde o garoto se meteu. Isso sem falar da câmera subjetiva tremida, para agoniar ainda mais os envolvidos. Além de tudo, em vários momentos, Ball deixa um espaço pequeno entre a câmera o personagem (seja ele qual for), dando maior intensidade à cena; em planos maiores ele abre os cenários para dar sensação de grandeza e espaço. Apesar de todos esses elementos, junto com a fotografia escura do labirinto, em alguns momentos o espetador se confunde com os acontecimentos.
Wess também demonstrou seu talento para cenas de ação e emoção. Ação, pois embora eu tenha lido o livro antes de ver o filme, e por isso sabia o destino dos personagens, o diretor fez com que a adrenalina fosse constante; não raro foi o caso de eu me pegar roendo as unhas na sala de cinema em meio a uma perseguição. Junte isso com uma bela trilha de John Paesano, que acompanha lindamente as tomadas frenéticas com ritmos igualmente eletrizantes. E no quesito emoção o diretor cria um vínculo muito forte entre os personagens, eles prezam o decoro e vivem em grande amizade constante, assim o sentimento de união de todos é bem construído e quase emociona em mais de uma vez.
O’Brien tem potencial para se tornar um ator muito competente em sua carreira, ele passa a bem a ideia mista de confusão, desespero e liderança; não foi por acaso que foi escolhido como protagonista, é de fato o melhor em cena. Aml Ammen e (o britânico) Thomas Brodie-Sangster, os líderes da Clareira, têm seus momento durante o filme, principalmente o segundo que apresenta-se sempre calmo e cauteloso, preocupado com o bem estar de todos, uma atuação tão sutil e mesmo assim muito forte do rapaz (que acredite ou não, já está com 24 anos). Scodelario é de fato a pior personagem da trama (acredite, no livro ela é ainda pior), pois ela é tão ignorada que suas cenas limitam-se a gritos de histeria e inexpressividade. Bate de frente com ela o personagem de Wil Poulter, caricato demais na pele de um vilão prisioneiro da própria ignorância e cego pelo medo, desperdício de um bom jovem ator. Fechando o elenco está Patricia Clarkson (que é versão de Kate Winslet de Divergente, Julianne Moore em Jogos Vorazes e Maryl Streep em O Doador de Memórias).
Positivamente me refiro a relação de Teresa com os demais rapazes, pois era quase inevitável prever um romance (e ele existe nas sequências), entre ela e Thomas, por exemplo. Entretanto ele (romance) foi abolido, assim como o humor e as irritantes expressões inventadas por Dashner no livro. Três elementos que não fizeram falta no enredo, na verdade sua ausência o enriqueceu, já que não perdeu-se tempo de narrativa com tais componentes. E de novo o diretor se posiciona seguramente ao investir em cenas com mais violência e a presença de sangue, mascarado, mas presente, acredito que isso ajude na atmosfera de manter os personagens em peerigo real.
E de novo aponto as questões da sociedade dos rapazes, pois em vários momentos existem diálogos que falam sobre como a hierarquia dos jovens foi criada de forma calma de cuidadosa, para que ninguém se ferisse e todos tivessem a sua função, mas em determinado momento isso é contradito, pois os personagens agem intuitivamente e não seguem a razão que tanto presam. Há problemas de coerência em relação à picada dos monstros Verdugos (“Ele foi picado de dia”; “Ninguém nunca sobreviveu a uma noite no labirinto”. Ora, então a que horas ele seria picado se não fosse de dia?).
E como o protagonista é um desconhecido na própria história é um tanto irritante perceber que as informações que são passadas a ele pouco a pouco são fornecidas por personagens apresentados de formas lineares no início da trama, ou seja, é um tanto quanto ensaiado.
Os efeitos sonoros e visuais são bem competentes, ponto positivo para a movimentação do labirinto. Porém, pelo fato de o livro não ser muito pequeno foi clara e pressa dos realizadores em vários momentos do filme, devido ao medo de parecer cansativo e algum momento. Mas as quase duas horas de projeção parecem pouco após o desfecho, que tem lá seus problemas, é verdade, mas ainda sim deixa um gostinho de quero mais.
seu livro não foi tão propagando e não está entulhando nas grandes livrarias do mundo, mas com a data da sequência marcada e uma estreia muito satisfatória pode acreditar que diversos leitores dedicados irão começar a surgir. E ao final do filme nota-se que muito deixou de ser dito, ou seja, guarde o nome do filme, pois ainda tem muito por vir e você ouvirá falar dele de novo.
Mas então leitor, posso tê-lo confundido em relação a minha opinião perante o filme, mas pode assisti-lo sem medo, pois minhas impressões, em geral, são positivas. Como admirador do livro, contento-me com o material proposto na produção, já que não li ainda as sequências, mas adianto que ao término da projeção tive mais motivos para continuar a ler a saga e aguardar, com certa avidez, o próximo filme.
Thomas (Dylan O’Brien) é enviado até uma fortaleza, denomina Clareira, onde habitam apenas garotos adolescente. Neste local os meninos criaram um sistema de vida eficaz que os protege de todos os perigos e os faz viver em harmonia. O problema desta nova casa é que ela é cercada por um labirinto monumental que os faz reféns de algo que ninguém nunca soube o que é. Para tentar escapar os rapazes tentam, sem descanso, decifrar o labirinto durante 3 anos, sem nenhum resultando, uma vez que a muralha serve de casa para os temidos Verdugos. Essa é a rotina dos garotos, mas tudo é abalado após a chegada de Teresa (Kaya Scodelario), a única menina que foi enviada para a Clareira.
Antes de tudo é preciso deixar claro que livros são livros e filmes são filmes, e quando um contrato é assinado pelo autor da obra (no caso, James Dashner) a produtora e os roteiristas têm grandes liberdades para com o conteúdo, ou seja, não faz o menor sentido exigir fidelidade total porque elas são raras e as mudanças no enredo são consequências da migração da história original para a adaptada; sempre foi assim e vai continuar sendo. Logicamente algumas migrações são exageradas e acabam por estragar uma premissa interessante do livro e em outros casos o material fonte é muito falho e esses seus defeitos são corrigidos em sua adaptação.
Devo admitir que li o livro e que senti falta de vários elementos presentes nele, no filme. Não porque eles eram “importantes”, mas porque tinham mais lógica e eram perfeitamente adaptáveis à história. Entretanto, devo reconhecer que vários componentes da produção são bem mais satisfatórios do que os descritos no material impresso.
(mas quem não leu, fica aqui minha indicação, porque trata-se de um exemplar bem interessante, apesar de ele ter alguns problemas de ritmo e personagens) até porque está crítica é voltada ao filme.
E um grande problema deste projeto é o próprio labirinto, ele é o grande antagonista da história, porém é subestimado no decorrer do filme. A sua resolução dependeu muito da sorte e de acontecimentos recentes, ou seja, nada em 3 anos de busca resultaria em nenhuma saída, porque nem Thomas e tampouco Teresa estavam presentes neste período. Simples assim.
Esta é a estreia do diretor Wess Ball, que se mostra muito competente e também seguro em sua primeira produção, além de investir em uma ousadia que vários veteranos não teriam coragem. Não há créditos iniciais, o filme simplesmente começa com o espectador sabendo tanto quanto o protagonista (ou seja, nada). O realizador usa e abusa de vários ângulos e movimentos de câmera. Ora utilizando o plongeé e contra plongeé logo de início para representar a chegada do novato, para logo depois partir para uma cena de corrida e finalizar com travellings circulares mostrando onde o garoto se meteu. Isso sem falar da câmera subjetiva tremida, para agoniar ainda mais os envolvidos. Além de tudo, em vários momentos, Ball deixa um espaço pequeno entre a câmera o personagem (seja ele qual for), dando maior intensidade à cena; em planos maiores ele abre os cenários para dar sensação de grandeza e espaço. Apesar de todos esses elementos, junto com a fotografia escura do labirinto, em alguns momentos o espetador se confunde com os acontecimentos.
Wess também demonstrou seu talento para cenas de ação e emoção. Ação, pois embora eu tenha lido o livro antes de ver o filme, e por isso sabia o destino dos personagens, o diretor fez com que a adrenalina fosse constante; não raro foi o caso de eu me pegar roendo as unhas na sala de cinema em meio a uma perseguição. Junte isso com uma bela trilha de John Paesano, que acompanha lindamente as tomadas frenéticas com ritmos igualmente eletrizantes. E no quesito emoção o diretor cria um vínculo muito forte entre os personagens, eles prezam o decoro e vivem em grande amizade constante, assim o sentimento de união de todos é bem construído e quase emociona em mais de uma vez.
O’Brien tem potencial para se tornar um ator muito competente em sua carreira, ele passa a bem a ideia mista de confusão, desespero e liderança; não foi por acaso que foi escolhido como protagonista, é de fato o melhor em cena. Aml Ammen e (o britânico) Thomas Brodie-Sangster, os líderes da Clareira, têm seus momento durante o filme, principalmente o segundo que apresenta-se sempre calmo e cauteloso, preocupado com o bem estar de todos, uma atuação tão sutil e mesmo assim muito forte do rapaz (que acredite ou não, já está com 24 anos). Scodelario é de fato a pior personagem da trama (acredite, no livro ela é ainda pior), pois ela é tão ignorada que suas cenas limitam-se a gritos de histeria e inexpressividade. Bate de frente com ela o personagem de Wil Poulter, caricato demais na pele de um vilão prisioneiro da própria ignorância e cego pelo medo, desperdício de um bom jovem ator. Fechando o elenco está Patricia Clarkson (que é versão de Kate Winslet de Divergente, Julianne Moore em Jogos Vorazes e Maryl Streep em O Doador de Memórias).
Positivamente me refiro a relação de Teresa com os demais rapazes, pois era quase inevitável prever um romance (e ele existe nas sequências), entre ela e Thomas, por exemplo. Entretanto ele (romance) foi abolido, assim como o humor e as irritantes expressões inventadas por Dashner no livro. Três elementos que não fizeram falta no enredo, na verdade sua ausência o enriqueceu, já que não perdeu-se tempo de narrativa com tais componentes. E de novo o diretor se posiciona seguramente ao investir em cenas com mais violência e a presença de sangue, mascarado, mas presente, acredito que isso ajude na atmosfera de manter os personagens em peerigo real.
E de novo aponto as questões da sociedade dos rapazes, pois em vários momentos existem diálogos que falam sobre como a hierarquia dos jovens foi criada de forma calma de cuidadosa, para que ninguém se ferisse e todos tivessem a sua função, mas em determinado momento isso é contradito, pois os personagens agem intuitivamente e não seguem a razão que tanto presam. Há problemas de coerência em relação à picada dos monstros Verdugos (“Ele foi picado de dia”; “Ninguém nunca sobreviveu a uma noite no labirinto”. Ora, então a que horas ele seria picado se não fosse de dia?).
E como o protagonista é um desconhecido na própria história é um tanto irritante perceber que as informações que são passadas a ele pouco a pouco são fornecidas por personagens apresentados de formas lineares no início da trama, ou seja, é um tanto quanto ensaiado.
Os efeitos sonoros e visuais são bem competentes, ponto positivo para a movimentação do labirinto. Porém, pelo fato de o livro não ser muito pequeno foi clara e pressa dos realizadores em vários momentos do filme, devido ao medo de parecer cansativo e algum momento. Mas as quase duas horas de projeção parecem pouco após o desfecho, que tem lá seus problemas, é verdade, mas ainda sim deixa um gostinho de quero mais.
seu livro não foi tão propagando e não está entulhando nas grandes livrarias do mundo, mas com a data da sequência marcada e uma estreia muito satisfatória pode acreditar que diversos leitores dedicados irão começar a surgir. E ao final do filme nota-se que muito deixou de ser dito, ou seja, guarde o nome do filme, pois ainda tem muito por vir e você ouvirá falar dele de novo.
Mas então leitor, posso tê-lo confundido em relação a minha opinião perante o filme, mas pode assisti-lo sem medo, pois minhas impressões, em geral, são positivas. Como admirador do livro, contento-me com o material proposto na produção, já que não li ainda as sequências, mas adianto que ao término da projeção tive mais motivos para continuar a ler a saga e aguardar, com certa avidez, o próximo filme.