terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Crítica - Êxodo: Deuses e Reis


Por Luis Ribeiro

Duas histórias do Antigo Testamento foram apresentadas no ano de 2014 para os espectadores. A primeira foi Noé, comandada pelo visionário Darren Aronofsky, que apostou em uma mensagem de até onde a fé pode influenciar os atos de um homem. De fato que esta adaptação da arca não é o melhor filme do diretor devido sua estética duvidosa, mas é um projeto inteligentíssimo e grandioso que somente um cineasta brilhante como Aronofsky poderia fazer. Porém, o filme em questão é Êxodo: Deuses e Reis, dirigido pelo cultuado diretor Ridley Scott, que recentemente foi o autor de vários desapontamentos como Prometheus em 2012 e O Conselheiro do Crime em 2013. Por mais que este novo projeto não tenha o mesmo fôlego quanto seus trabalhos mais primorosos, como A Cruzada e Gladiador, é uma evolução construtiva se compararmos com seus dois últimos filmes e, talvez, uma superação do suicídio de seu irmão, também diretor, Tony Scott (Top Gun - Ases Indomáveis) em agosto de 2012.

Moisés (Christian Bale) é um hebreu que teve sua vida salva pela irmã do faraó em uma época em que este último ordenou matar os filhos dos escravos. O menino então foi criado como o filho do faraó junto ao herdeiro do trono, Ramses (Joel Edgerton). Com a morte do pai adotivo a verdade sobre a origem de Moisés foi revelada, e com o seu exílio do palácio ele recebe uma tarefa de Deus que se baseia em libertar os hebreus da escravatura.

No que tange à comparação dos de Noé e Êxodo é fácil dizer que o primeiro é infinitamente superiro e melhor realizado do que o segundo, mas isso não significa que o Êxodo não tenha seus méritos. As histórias são diferentes e as mentes por trás das câmeras também, então a única semelhança que temos entre elas é que ambas tratam de histórias bíblicas.

Nada neste novo filme é de fato original, tudo que acontece em cena já foi visto na linda animação de 1998, O Príncipe do Egito. Ou seja, existe a boa relação entre Ramses e Moisés, o relacionamento de ambos, as dez pragas do Egito (afrontas aos deuses egípcios) e a fúria de Deus nesta ocasião. É um tanto desgostoso ver que os roteiristas não tomaram tantas liberdades na história original do texto sagrado, apenas algumas modificações que não alteram o produto final.

O grande trunfo de Êxodo é a forma racional que enfrenta as coisas, não assumindo uma posição cristã unânime. Moisés era um homem descrente que recebeu o chamado de Deus para libertar o povo hebreu. Ele, na verdade, questiona sua posição como mensageiro e não compreende as os métodos Dele de agir, já que é um ser de bondade, mas suas atitudes são furiosas e castigadoras. Essa história é algo que os fiéis precisam saber interpretar. Ao mesmo tempo, os descrentes do cristianismo podem enxergar Deus como um matador daquilo que criou, mas o filme também oferece uma visão para as atitudes racionais dos homens. É por isso que o personagem de Bale é tão complexo, pois ele representa não só a fé, mas também a descrença dos seres humanos.

Vê-se esse sentido imparcial nas próprias pragas que Deus mandou no Egito. Assim como foi explorado em A Colheita do Mal em 2007, podem haver explicações científicas para estas catástrofes (mas é claro que essa visão de ciência da natureza é improvável para um povo com tantas crenças). Portanto preste atenção quando um dos personagens equacionar a origem de algumas pragas e até a forma como poderia ter sido divido o Mar Vermelho, pois nenhuma mentira está sendo dita.

Mas o que poderia ser um material tão forte e precioso para todos os espectadores (independente da crença) se transforma em desculpas vagas e confusas. Às pragas novamente, um nobre fala com tanta certeza e razão sobre como elas surgiram, mas em seguida implora para dezenas de deuses para que acabem com estas, dando a entender que suas divindades só existem quando são convenientes para os homens.

E se Bale entrega um personagem em conflito com si mesmo, em nenhum momento ele parece realmente cativado a realizar o que lhe foi incumbido, a sensação que passa é de apenas uma obrigação de um trabalho tedioso. Já o personagem de Edgerton é um equívoco, pois seu comportamento é tão óbvio e infantil (desviando o olhar de assuntos importantes, falta de interesse em afazeres de um faraó e um eterno egocentrismo da mensagem: “o poder cega o homem”) que chega a ser superficial, junte isso as cenas que ele tenta demonstrar algum afeto para com o filho e esposa e terá um faraó completamente unidimensional e mimado até o último segundo de projeção. No quesito personagem as mulheres não têm quase nenhum espaço, já que Sigourney Weaver não possui a menor necessidade de estar presente (o mesmo se diz de Ben Kingsley) e María Valverde serve apenas como esposa de Moisés, sem nenhuma função e tampouco autoridade. Aaron Paul surge irreconhecível e calado em praticamente todas as cenas, ao contrário de John Torturro que tem alguns diálogos interessantes para o bom andamento da trama. 


Os efeitos visuais nos entregam cenários rasos e, em sua maioria, modestos - até esquecemos que está em questão a civilização egípcia - é no desfecho que estes realmente dizem a que vieram. O método de gravar de Scott é curioso. Ele investe em planos aéreos muito graciosos e elegantes (como a cena da luta dos crocodilos e a sombra da morte aos primogênitos), mas ele também mescla entre cortes rápidos em batalhas e metáforas óbvias (como o cruzamento de espadas e o empilhamento de pedras). Mas o diretor abre a cena em planos bem, mas bem, amplos um sem número de vezes, pois ver a quantidade de hebreus que estão fugindo funciona uma ou duas vezes, mas ele faz questão de mostrar umas cinco, sem falar dos palácios e montanhas. As cenas de lutas são eficazes, mas mostram uma semelhança imensa com guerras apresentadas em Gladiador, principalmente nas mortes dos personagens. A maquiagem é competente, pois é tão sutil e verissímil que quase convence. E a curiosidade está na representação de Deus, visto como um menino de 11 anos, vivido de maneira autoritária e respeitosa pelo jovem britânico Isaac Andrews. Devemos lembrar que as imagens santas que temos hoje são fruto da Idade Média, antes dela a interpretação das figuras religiosas cristãs eram bem livres.

Encerrando com a escritura dos 10 Mandamentos (lembrando o clássico homônimo de 1956), com frases poéticas e inteligentes, o que é muito já que estejamos falando uma história de fé e qualquer simples fala pode soar presunçosa, o personagem título é uma boa lição de religiosidade para todos que o assistirem.

Êxodo: Deuses e Reis é um filme competente, mas decepcionante em vários sentido. Ele peca em ritmo e não é rico em coragem em apostar em algo novo, também não surpreende em quesitos técnicos. Entretanto é uma experiência saudável para os cristãos e não cristãos que enxergam com maturidade as histórias bíblicas. Certamente não converterá e nem insultará ninguém. É uma visão interessante de um cineasta que não está em melhor fase, mas que com esse trabalho dá um sinal de que ainda tem muitas coisas boas por vir.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Crítica - Operação Big Hero


Por Luis Ribeiro

A Marvel já tem um pé nas animações com Operação Big Hero, uma obra inspirada em alguns quadrinhos não muito famosos cujos personagens foram inspirados em HQs japonesas, contanto a história de um grupo de jovens heróis nerds. Foi a Walt Disney Pictures (óbvio) que conseguiu os direitos para fazer a produção. A empresa teve uma grande reviravolta em sua carreira de animações, pois desde a criação do estúdio Pixar que os filmes da Disney se tornaram um pouco apagados e bem medianos (quem se lembra dos fraquíssimos Nem que Vaca Tussa, Bolt – Supercão e Família do Futuro?) , algo que mudou com o excepcional Detona Ralph em 2012; o competente, mas completamente esquecível, Frozen – Uma Aventura Congelante em 2013 e agora com o fantástico Big Hero 6 (no original).

O pequeno gênio de 13 anos, Hiro Hamana (voz de Ryan Potter), tem um conhecimento avançadíssimo de robótica, tanto que construiu um pequeno protótipo de um robô para suas lutas clandestinas, atividade que não agrada seu irmão Tadashi (dublado por Daniel Henney), que acredita ser um desperdício do potencial do garoto. O rapaz convence o menino a se matricular em uma universidade para aproveitar seu conhecimento, porém o experimento para o ingresso de Hiro na instituição é tão brilhante que chama a atenção de uma mente não bem intencionada, causadora de diversos crimes. O menino buscará auxilio com o robô construído pelo irmão, Baymax.

Big Hero 6 é primoroso em construir seus cenários e personagens, de imediato é apresentado a união criativa de duas grandes cidades mundiais para situar a trama, São Franstóquio é a metrópole fictícia onde vivem várias pessoas com características americanas, mas com nomes asiático. Nota-se isso também até mesmo na união das arquiteturas de Tóquio e São Francisco, original até nos detalhes.

O longa acerta também em não apostar nos clichês das animações. É sabido que este gênero é voltado para crianças, porém ver a delicadeza e maturidade que os assuntos delicados são tratados no decorrer do filme é notável. Uma vez que o este explora várias mensagens de altruísmo para as crianças, para que elas cresçam estimuladas e bem orientadas.

Prezando a ciência e o benefício das novas invenções do mundo tecnológico do século XXI a lição que o filme tem a transmitir não é apenas para os de menos idade, mas também para os adolescentes e jovens adultos. É a criatividade o foco da animação. Cheio de citações inteligentes e reviravoltas que mostram o que um momento de imaginação pode fazer pelas pessoas.

É da imaginação que surgiram as maiores invenções, e são elas que vão beneficiar a população em transporte, construção e saúde (como o próprio Baymax). O material é inteligente porque, diferente dos filmes em live action da Marvel (veja a ironia), os personagens não possuem uma mutação ou alterações genéticas. Em Operação Big Hero os jovens usam o cérebro para desenvolver suas habilidades, é ciência e química pura. Raciocínio unido com imaginação, assim que se moldam os maiores inventores.

E é o próprio Baymax que é alma do filme, sua presença possui um humor leve e realmente engraçado, ele é a construção materializada de um boneco de criança criado para ajudar pessoas. A partir dele que o filme ensina ainda mais verdades cruas. Uma delas é a insistência de o ser humano ser potencialmente destrutivo, pois por mais que uma invenção seja criada para o bem da humanidade, esta dará um jeito de torná-la uma arma; isto é tratado de maneira sutil, mas a mensagem é passada fortemente através das emoções do protagonista para com a memória de seu irmão. Além disso, nota-se os ensinamentos de lidarmos com a perda e dor, e como isso é visto de maneira diferente por uma criança. O espírito de vingança é o primeiro que reina no ser humano, cegando as maiores mentes de qualquer idade, já que o homem também é movido pelas emoções e não só pela razão.

Baymax não é só o personagem mais engraçado e carismático da trama, como é dono de um design belíssimo. É composto por formas simples e poucas cores. Essas formas não complexas criam um genial personagem, com feições amáveis e simpáticas. Por ser um dos protagonistas, sua imagem deve agradar tanto meninos e meninas, algo que alcançou perfeitamente e de quebra uma forma prévia para os futuros brinquedos que serão produzidos, certamente para ambos os gêneros. Não se engane, para uma animação isso é crucial e existem aquelas que não conseguiram ser imparciais, como Frozen e Turbo.

Recheado de diálogos inteligente o filme não tende para as frases comuns que todos estão cansados de ouvir, como as típicas palavras: “As pessoas que se vão sempre estarão com você”, satirizada pelos próprios personagens.

Além de tudo, a produção tem bom ritmo (quase duas horas parecem minutos) e cenas de ação caprichadas, unidas com uma trilha sonora bem dosada e na velocidade certa. Sem falar dos demais personagens extremamente divertidos. Nas versões brasileiras Robson Nunes empresta sua voz para Wasabi, a youtuber (que também é atriz) Kéfera Buchmann é Gogo Tomago, Fiorella Mattheis dubla Honey Lemon e Marcos Mion, juntamente com os bordões de seu programa de TV, dá voz a Fred. Não estranhe se as vozes não se parecerem com as de seus dubladores, tudo faz parte do processo de edição de som após a dublagem. De forma alguma estraga o impacto dos nerds fãs de heróis (Stan Lee continua marcando presença) que se transformam nos salvadores da cidade.

Apropriado para crianças e necessário para os jovens, Big Hero 6 só não é o melhor filme da Marvel por se tratar de um crossover, porém poderia sustentar muito bem o título. Ele é comovente, emocionante, engraçado, inteligente,  “adrenalístico” (é modo de dizer) e um dos melhores do gênero do ano. Forte candidato ao Oscar 2015 de Melhor Animação, apenas perdendo para o favorito Uma Aventura Lego, e caso ganhe a estatueta dourada estará em mãos muito melhores do que as dos 3 último vencedores.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Crítica - O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos


Por Luis Ribeiro

Pode não parecer, mas a trilogia O Hobbit e a trilogia O Senhor dos Anéis foram feitas pela mesma equipe, e é importante ressaltar, pois ambas são tão diferentes – embora tratem do mesmo universo – que é duvidável que as mesmas mãos que produziram a franquia multibilionária iniciada em 2001 sejam as responsáveis por uma saga tão fraca, encerrada em 2014.

E se critico a primeira trilogia por sua extensa duração e sua temática não ser para todos, aponto esta segunda franquia como insuportável, já que Peter Jackson (diretor) não só se mostra incapaz de fazer um filme com menos de duas horas como também não oferece nada de novo em nenhum dos materiais, pelo contrário, recusa todo e qualquer artifício que possa beneficiar o material de alguma forma.

Após a derrota do temível dragão Smaug (Benedict Cumberbatch), os anões têm a montanha de Erebor em seu comando novamente, porém a imensa quantidade de ouro que habita na fortaleza atrai os moradores cuja cidade foi destruída no ataque do dragão. Mas Thorin (Richard Armitage) não tem planos para dividir seu reino, ainda mais com a ameaça dos elfos e orcs para o ataque à montanha, assim o herdeiro anão tem em suas mãos a missão de defender o reino que tanto custou a conquistar.

O terceiro capítulo da franquia O Hobbit não é o pior (seria difícil superar a péssima experiência do primeiro filme), porém ainda é inferior ao Desolação de Smaug, que ainda possuía algum tipo de identidade e coreografias inteligentes de batalha. Mas não se engane, nenhum dos três é de fato bom, apenas tem seus pontos positivos como boa parte dos filmes ruins que assistimos.

Jackson não aprendeu nada em nenhum dos seus filmes, cometendo o mesmo erro em todos (esse é um dos maiores problemas de filmar toda uma saga de uma só vez). É bastante perceptível sua direção em todo o filme, ele ainda se mostra como um cineasta bem decidido de suas características, mas nem sempre é bom. Peter insiste em colocar uma enorme quantidade de cenas em câmera lenta, principalmente nas batalhas, com o intuito de causar mais impacto à cena, porém isso resulta em esticar a tomada em um tempo absurdo. Seus planos aéreos, muitas vezes em câmera subjetiva, causam certo exibicionismo em vários momentos, chegando a comprometer o entendimento e necessidade de tal elemento.

A falta de sutileza do diretor é gritante, ele coloca seres colossais e deformados de forma teatral só para que sejam facilmente derrotados; sem falar da rápida troca de cenas que faz com que vários núcleos não tenham sua devida conclusão.

E se o figurino e design de produção não decepcionam (mas não inovam) são os efeitos visuais que destroem todo o conforto em assistir. Em todos os filmes de O Senhor dos Anéis fora usado maquiagem em seus personagens, na maior parte, em O Hobbit a maquiagem digital foi adotada, nada poderia ter sido mais desagradável; vê-se isso nos elfos e anões com seus rostos modificados digitalmente para parecem mais jovens ou mais limpos. “Limpas” também são as batalhas, pois os guerreiros lutam e assassinam a outros e não existe uma gosta de sangue ou suor, na verdade, todos estão com uma aparência irretocável.

Não contexto aqueles que dizem sobre a forma perfeitamente estruturada no épico do anel, pois todos os filmes eram independentes e tinham seus núcleos iniciados e encerrados em cada um deles. Isso não acontece na história dos anões porque trata-se apenas de um livro (e não três, como anteriormente), mas isso não é desculpa para o total descaso para um estrutura de um filme. Um exemplo disto seria a minúscula sequência envolvendo o dragão Smaug, que é derrotado antes dos créditos iniciais acabarem, naquilo que é a cena mais hedionda de todo este capítulo. A cidade em chamas é insuportável de ver, culpa da grande quantidade de efeitos exagerados para a construção do momento, que mais parece uma fase de vídeo game (pois a irritante câmera em movimento e cortes mal feitos, unidos com perspectivas aéreas de plongée e contra plongée se parece muitos com enquadramento de jogos; até o personagem principal da cena têm várias chances de derrotar o vilão) fora a constrangedora tentativa de criar um momento de tensão com uma criança sendo usada como arma (?). Isso sem falar da construção duvidosa dos orcs, totalmente feito através de computação gráfica, assim como os enormes cenários que Peter faz questão de fazê-los parecer ainda maiores com a técnica de zoom out (com os anões caminhando por estruturas elevadas, como sempre) e planos bem abertos.

Apesar de o filme ser o menor de todos (pouco menos de três horas) ele ainda se arrasta em vários momentos, principalmente quando o diretor tenta criar algum momento emocionante para os personagens, porém estes são tão vagos e suas participações são tão fragmentadas que é difícil sentir algum afeto por eles, já que são inseridos de forma tão banal e estranha.

O Hobbit do título se limita a um mero coadjuvante e sua real necessidade é duvidosa; o mago poderoso que em toda a trilogia se transportava (seja lá de que forma) para qualquer lugar a quilômetros de distância, mas que agora precisa de um cavalo para ir à batalha; o anão rei tão carrancudo que seu destino serviu como um alívio para o filme ser um pouco menos amargo, fora sua simples epifania para mudar o rumo de tudo; os anões que são diferentes fisicamente, mas que não possuem a menor personalidade e sua contribuição real é quase nula em todos os filmes; um camponês engraçadinho que tem mais cenas do que Bilbo e Gandalf juntos, e que não tem motivo nenhum de existir; a realeza elfa que inventa um motivo para arranjar briga com os anões, mas que logo revoga sua opinião; os orcs que existem apenas como os vilões da trama, além de serem tão parecidos entre si que é quase impossível diferenciá-los.

E se a batalha é o monumental momento do filme (e existem cenas que ela diz a veio, como a armada em escudo dos anões) ela não termina, ela simplesmente para. Em determinado momento todos os exércitos se recolhem e os corpos somem do campo da guerra.

A cafonice se completa com o amor impossível de um elfo e um anão, a dor de um amor não correspondido por outro e o valor da verdadeira amizade, que pode fazer sentido no livro; porém neste enorme épico da Terra Média (que se parece muito pouco com a história infantil original de Tolkien) não faz sentido.

Apesar de ter um elenco principal, de fato nenhum dos atores deste se sobressai. Martin Freeman surge em momentos estratégicos para lembrar de sua existência e Ian McKellen tem sua participação limitada a simples figurações; Armitage não consegue convencer com sua interpretação o conflito interno e o ódio de seu personagem (nota-se isso com sua incansável inclinação de cabeça e os recursos sonoros para dar mais ênfase à performance); Lee Pace, como rei elfo, é o melhor em cena, logo atrás de Luke Evans, como o guerreiro que venceu o dragão e em meio à batalha consegue sempre surgir em momentos em que ele é mais necessário e fazer várias pausas para os diálogos. Até Olrnado Bloom tem merece respeito, por ser protagonista das melhores cenas de ação. No que tange à Christopher Lee e Cate Blanchett, estes só foram escalados para existir algum vínculo entre esta trilogia e a anterior/futura.

A partir disso os dois filmes anteriores puseram vários tópicos que precisavam ser resolvidos neste terceiro capítulo, mas nem todos se concretizaram, pois a grande batalha termina sem muitas dificuldades e de uma forma relativamente rápida para então seguir ao gancho para Senhor dos Anéis.

A imensa trilogia Hobbit não é só muito inferior a sua antecessora como também é uma saga muito decepcionante e pessimamente estruturada como independente, segue apenas uma história simples (contada em no máximo dois filmes, e estou sendo generoso), mas que é esticada e adereçada por recursos desnecessários. Mesmo não sendo fã de nenhum dos filmes, preciso admitir que a Terra Média merecia algo muito mais digno do que todos os filmes de O Hobbit, porque se lágrimas saíram de meus olhos ao ver o nome de Peter Jackson com diretor nos créditos finais é porque me alegrei em lembrar que este seria o último filme que terei de assistir desta trilogia.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Crítica - Quero Matar Meu Chefe 2


Por Luis Ribeiro

Em 2011 a comédia comandada por Seth Gordon, Quero Matar Meu Chefe, foi um grande sucesso de público, arrecadando mais de 200 milhões nas bilheterias mundiais, além de ter tido certo apoio das críticas. Nada mais justo, pois tratava-se um comédia não muito apelativa, com uma elenco bem escalado e com personagens envolventes, some isso a um roteiro esquematizado e comprometido em explorar um dos desejos mais comuns de boa parte da humanidade: Matar seu chefe irritante. Estranhíssimo seria uma sequência não ter sido anunciada, e esta, apesar de muito inferior ao seu antecessor, ainda consegue aguentar a responsabilidade de divertir com a seriedade no desenvolvimento da história, mesmo que com certa decadência.

Após conseguirem se livrar dos problemas com seus chefes, o trio composto por Nick (Jason Bateman), Dale (Charlie Day) e Kurt (Jason Sudeikis) decide tomar as rédeas e fundar sua própria empresa com um produto em potencial. A ideia do grupo interessou o empresário bilionário Bert Hanson (Cristoph Waltz) que acaba por enganá-los e lucrar a suas custas. Como vingança e para manter suas finanças em dia, os amigos decidem sequestrar o filho de Hanson, Rex (Chris Pine), a fim de conseguirem o dinheiro roubado por seu pai através do resgate.

O maior erro deste filme, com grande potencial, é se apropriar das mesmas piadas que já foram usadas em seu antecessor, a trama em si é muito semelhante à fórmula anterior, isso porque as raras comédias que conseguem uma sequência têm muito medo de mudar as propostas inicias, já que foram elas que agradaram o público da última vez; isso raramente funciona (basta ver o segundo capítulo deplorável da trilogia Se Beber, Não Case). E neste caso não foi diferente, o que prejudica as cenas com alguma originalidade, pois são as melhores e é lastimável que não tenham investido nessas ideias novas.

E como se não bastasse, o roteiro insulta o espectador por fazer com que os protagonistas se comportem de maneira extremamente imbecilizada, à la filmes de Adam Sandler e companhia. Eles nunca foram muito inteligentes devido às circunstâncias do assassinato e tudo mais, mas em mais de um momento eles agem de maneira constrangedora, tanto para os atores quanto para os espectadores (alguém achou graça na imitação de câmera lenta ou na discussão do aperto de mão seguido pelo acariciar no cotovelo?). Muito disso é culpa da falta de tato do novo diretor, Sean Anders, que também escreveu o roteiro ao lado de John Morris. Não que ambos tenham feito um péssimo trabalho, mas é perceptível erros graves na trama. Exemplo seria a completa inexperiência de Nick em questão de investimentos empresarias, algo que é muito estranho já que antes almejava um cargo de vice presidente de vendas; sem contar do irresistível desejo de escalar atores de categoria, mas que não fazem nada em cena.

Kavin Spacey consegue fazer muito com pouco que lhe é oferecido, porque é bem óbvio que ele só está no filme para que este pareça mais categórico. O mesmo se diz de Waltz, pois os roteiristas parecem se esquecer quem é este homem e o que sua presença representa, sua atuação não passa de um desperdício. Mas é Pine que rouba a cena, o “jovem” ator é talentoso e mostra uma performance madura, com uma risada incessante, um quê de psicopatia e alguns elogios convincentes ele dá vida ao herdeiro maníaco, preguiçoso, vaidoso e sentimental. O melhor em cena.

Jennifer Aniston não tem um motivo real que explique sua participação na história, mas ela é responsável por alguns dos melhores momentos da trama. Jamie Foxx, muito melhor utilizado nesta sequência, também retorna em boa forma no personagem mais icônico do filme. Já o trio principal não mudou desde seu pacto anterior com seus chefes, é bem verdade que os três atores têm uma química excelente, eles parecem de fato amigos de longa data e possuem uma intimidade evidente, não deixando de ser um ponto positivo. Mas, de novo, empobrecido pelo roteiro.

Para fechar, as piadas escritas (e não as improvisadas) não geram tantos risos, não espere gargalhar alto na sala de cinema. Elas levam um tom de racismo e preconceito que são percebidas pelos próprios diálogos.

Quero Matar Meu Chefe 2, é bem inferior ao primeiro, mas não acredito que os menos exigentes irão se incomodar com as falhas apontadas, até porque os personagens continuam carismáticos, o desenrolar ainda mantém o mínimo de inteligência e o politicamente incorreto está presente (presente até demais); portanto não pense que é um filme ruim porque não é, apenas extrapolou muito nas condições que lhe eram cabidas.
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