Por Luis Ribeiro
O premiado cineasta Jonathan Demme tem se dedicado a trabalhos com temáticas mais tênues e que beiram ao dramático, focando o lado emotivo de seus personagens quanto as situações inseridas, visse isto no bom O Casamento de Rachel. Portanto, encontrou um meio fecundo para sua investida, estamos falando do novo roteiro escrito por Diablo Cody que sempre foi a voz de personagens femininas que se contrapõem aos dos homens, como no ótimo Juno e no igualmente bom (em minha opinião) Jovens Adultos. Ricki and the Flesh é o filme da vez e ganhou fama por trazer Meryl Streep como protagonista no maior estilo rockeira liberal. Uma pirâmide forte de profissionais que não encontra equilíbrio em se manter em pé.
Ricki é a vocalista e guitarrista de sua banda, The Flash, em meio a problemas financeiros ela recebe a ligação de seu ex-marido (Kevin Kline) dizendo que sua filha (Mamie Gummer) está se divorciando e que seria um bom momento para que a mãe da moça estivesse presente. Obrigada a voltar para sua cidade natal ela enfrenta problemas de relacionamento com toda sua família.
A premissa pode parecer familiar e desgastada, mas na verdade ela é muito mais comum do que isso. A mesmice de filmes de comédia romântica está completamente aplicada aqui, com alguns alívios por parte do elenco, mas nada que salve o filme de seu impulso em se tornar óbvio.
Os personagens, embora bem atuados, são estranhamente movidos a sentimentalismos básicos e nada aprofundados e que os deixam sem nenhuma coesão. Ricki/Linda, por exemplo, é uma mãe liberal e rockeira, mas que tem tendência agressivas ao racismo, xenofobia e homofobia, três características que não entendo porque alguém colocaria em um personagem que deveríamos torcer a favor. Imagine apoiar um protagonista com tais adjetivos! O maior tropeço de Diablo ao escrever os personagens é a instabilidade de Julie (Gummer) que por algum motivo sente um apego pela que mãe que nunca foi próxima. Note como sua trama é facilmente esquecida no roteiro para dar espaço a um coitadismo da parte de Ricki por seus parentes serem tão ingratos com ela. Afinal, uma mulher que abandona os filhos para viver em outra cidade, não os visita, falta ao casamento da filha, mostra total descaso pela vida dos filhos, inclusive sobre sua orientação sexual é mesmo alguém muito injustiçada em ser tratado sem afeto. Tudo isso com a desculpa de ter corrido atrás de seu sonho, aparentemente isso é uma justificativa aceitável para milhares de ocasiões.
Julie não é só mal escrita e mal desenvolvida, Gummer surge bem ensossa no papel, sua pose depressiva é dependente completamente de sua postura torta, seus cabelos sujos e sua insistência em não mudar de roupa. A simples presença de Ricki altera tudo na moça, pois se a psiquiatria não ajudar, talvez um pouco de atenção de mãe ausente ajude. A depressão da suicida é tão desinteressante para o roteiro que ele mesmo a remove com enorme facilidade e o substitui por um amor carinhoso que não é plausível entre as duas personagens que, francamente, mal se conhecem como mãe e filha.
Como se não bastasse o roteiro se desculpou pela atitude de uma personagem (Maureen, vivida otimamente pela estrela da Broadway, Audra McDonald) que realmente faz sentido na história, mostrando mais uma vez a falta de coesão no desenvolvimento.
E embora a presença de Meryl sempre torne um filme agradável é inegável que sua atuação empalidece quanto às falhas do filme. Não se enganem, Demme não acerta o tom da direção em momento nenhum, deu muito espaço para o roteiro se desenvolver sozinho e não colocou identidade ao trabalho. É fato que em uma cena ou duas seja possível rir alto de algumas situações que são afetadas pelas canções que Meryl canta sem parar, transformando o filme em um musical de clássicos do rock das últimas décadas, não veja isso como um elogio, pois, de novo, é superficial.
Com um estilo novelesco o filme se encerra da forma mais previsível, com todos se desculpando, se reconciliando e vencendo os medos sociais que lhe foram impostos no decorrer da trama. Apesar da trama ser voltada a Ricki, vários personagens têm um espaço bem sucedido, isso se formos perdoar os integrantes formulaicos de fim de comédia romântica nova iorquina, pois Ricki and the Flesh é apenas isso.
Ricki é a vocalista e guitarrista de sua banda, The Flash, em meio a problemas financeiros ela recebe a ligação de seu ex-marido (Kevin Kline) dizendo que sua filha (Mamie Gummer) está se divorciando e que seria um bom momento para que a mãe da moça estivesse presente. Obrigada a voltar para sua cidade natal ela enfrenta problemas de relacionamento com toda sua família.
A premissa pode parecer familiar e desgastada, mas na verdade ela é muito mais comum do que isso. A mesmice de filmes de comédia romântica está completamente aplicada aqui, com alguns alívios por parte do elenco, mas nada que salve o filme de seu impulso em se tornar óbvio.
Os personagens, embora bem atuados, são estranhamente movidos a sentimentalismos básicos e nada aprofundados e que os deixam sem nenhuma coesão. Ricki/Linda, por exemplo, é uma mãe liberal e rockeira, mas que tem tendência agressivas ao racismo, xenofobia e homofobia, três características que não entendo porque alguém colocaria em um personagem que deveríamos torcer a favor. Imagine apoiar um protagonista com tais adjetivos! O maior tropeço de Diablo ao escrever os personagens é a instabilidade de Julie (Gummer) que por algum motivo sente um apego pela que mãe que nunca foi próxima. Note como sua trama é facilmente esquecida no roteiro para dar espaço a um coitadismo da parte de Ricki por seus parentes serem tão ingratos com ela. Afinal, uma mulher que abandona os filhos para viver em outra cidade, não os visita, falta ao casamento da filha, mostra total descaso pela vida dos filhos, inclusive sobre sua orientação sexual é mesmo alguém muito injustiçada em ser tratado sem afeto. Tudo isso com a desculpa de ter corrido atrás de seu sonho, aparentemente isso é uma justificativa aceitável para milhares de ocasiões.
Julie não é só mal escrita e mal desenvolvida, Gummer surge bem ensossa no papel, sua pose depressiva é dependente completamente de sua postura torta, seus cabelos sujos e sua insistência em não mudar de roupa. A simples presença de Ricki altera tudo na moça, pois se a psiquiatria não ajudar, talvez um pouco de atenção de mãe ausente ajude. A depressão da suicida é tão desinteressante para o roteiro que ele mesmo a remove com enorme facilidade e o substitui por um amor carinhoso que não é plausível entre as duas personagens que, francamente, mal se conhecem como mãe e filha.
Como se não bastasse o roteiro se desculpou pela atitude de uma personagem (Maureen, vivida otimamente pela estrela da Broadway, Audra McDonald) que realmente faz sentido na história, mostrando mais uma vez a falta de coesão no desenvolvimento.
E embora a presença de Meryl sempre torne um filme agradável é inegável que sua atuação empalidece quanto às falhas do filme. Não se enganem, Demme não acerta o tom da direção em momento nenhum, deu muito espaço para o roteiro se desenvolver sozinho e não colocou identidade ao trabalho. É fato que em uma cena ou duas seja possível rir alto de algumas situações que são afetadas pelas canções que Meryl canta sem parar, transformando o filme em um musical de clássicos do rock das últimas décadas, não veja isso como um elogio, pois, de novo, é superficial.
Com um estilo novelesco o filme se encerra da forma mais previsível, com todos se desculpando, se reconciliando e vencendo os medos sociais que lhe foram impostos no decorrer da trama. Apesar da trama ser voltada a Ricki, vários personagens têm um espaço bem sucedido, isso se formos perdoar os integrantes formulaicos de fim de comédia romântica nova iorquina, pois Ricki and the Flesh é apenas isso.