A mensagem está clara e é transmitida para o público de maneira literal, além disso, em quesitos visuais o filme é bárbaro: cenas de ação caprichadas, construção física dos personagens trabalhada com vigor, cenários amplos e movimentos de câmera fantásticos. O roteiro era rico e redondinho e a trilha sonora é digna de prêmios (indicada ao Oscar, inclusive), ou seja, colecionou elogios por onde passou. Tudo estava perfeito, até o momento que os produtores tiveram a ideia de fazer uma sequência.
Assim como no primeiro, Soluço (Jay Baruchel) tem uma relação forte com seu dragão, Banguela, ainda mais agora que os vikings e os dragões vivem pacificamente. Entretanto os Cavaleiros de Dragões estão sendo ameaçados pelos Caçadores de Dragões e seu líder: Drago (Djimon Hounsou/Rodrigo Lombardi), para ajudar os vikings e os dragões nessa luta Valka (Cate Blanchett) surge para surpreender a todos com seu conhecimento sobre os dragões e os segredos que eles trazem.
Essa é a segunda adaptação de uma série de livros infantis que já ultrapassa o décimo primeiro exemplar, cujos filmes têm trazido mais fama e seriedade para a saga, mas, neste caso, é incerto dizer que é uma coisa boa. Não é o que filme seja ruim, mas tudo que está presente no original está presente nesta continuação, porém de uma forma muito mais exagerada e chata. Apesar de sua pequena (menos de duas horas) o filme tem cenas muito longas onde os personagens não compõem nada muito interessante, ou seja, beiram ao sacal. E já que estamos falando do tempo, o ritmo é um problema, pois o clímax do filme é interessante, mas encontra-se no meio do longa, deixando o desfecho muito mais sem graça.
E como em time que está ganhando ninguém mexe, temos o mesmo diretor do original, Dean DeBlois, mas o primeiro era comandado também por Cris Sanders (Os Croods), então podemos que ver que Dean trabalha bem em equipe, mas individualmente deixou a desejar.
É incrível e irritante ver o quanto são semelhantes dos filmes em questões visuais, temos os voos impressionantes de vários dragões, a perfeição de movimentação dos personagens (assemelhando-se muito à figura humana), até a moral de história é a mesma. Portanto mais do mesmo não agrada ninguém, ainda mais quando esse mesmo tende a ser mais desinteressante (!).E um filme onde os melhores momentos e as grandes revelações já estavam disponíveis no trailer não oferece nenhum diferencial.
É impossível não perceber o quanto os personagens desta sequência são bem menos desenvolvidos, como é o caso do grande dragão Alpha, que trava uma luta com um réptil da sua espécie (que curiosamente é dragão mais importante e raro do enredo, mas é o único que não parece ser o último da espécie), o curioso que esse colossal animal, o rei dos dragões, perde essa luta em uns 20 segundos. Depois disso temos a bizarrice de seu subtítulo ter o poder de hipnose sob os demais dragões; animações podem ter mais liberdade em relação à realidade, mas não confunda essa liberdade com elementos toscos que podem ridicularizar a história. A “recém –oscarizada” Cate Blanchett dubla a mãe de Soluço, ela tem uma papel importante na trama e...pensando bem, ela é só a mãe desaparecida do Soluço mesmo. Concluo essa análise com o vilão Drago (dublado no Brasil por Rodrigo Lombardi que já se mostrou muito competente com seu trabalho em “Valente”, um exemplo de como a dublagem brasileira é digna de respeito), este personagem apresenta um caráter macabro, mas ele não oferece nenhum mal, é só um homem amargurado em busca de vingança (mais uma vez). O filme tem algumas poucas ressalvas, como a trilha sonora e o alívio cômico de alguns vários vikings que o espectador nem se dá ao trabalho de lembrar o nome, mas sabe que são engraçados. Além disso, é toca em um assunto delicado para o público mais jovem: a morte. Nunca é fácil falar sobre isso nos filmes infantis, mas é importante que as crianças saibam que ninguém vive para sempre, e o roteiro tem trechos que tratam desse assunto de maneira carinhosa e adequada para os menores.
Como Treinar seu Dragão 2 é um filme que, em minha opinião, não tem porquê ter sido feito, já que é muito inferior a seu antecessor, mas que não pode ser chamado de ruim, pois possui a mesma essência do excelente primeiro filme. Existem boatos que mais dois filmes estão a caminho (o terceiro deve estrear em 2016), todavia se forem manter o mesmo nível de preguiça e falta de originalidade que alcançaram nesta sequência, é melhor manter o filme somente no papel para preservar a boa imagem que ainda resta do enredo.
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