terça-feira, 27 de maio de 2014

Crítica - X-Men: Dias de um Futuro Esquecido


Por Luis Ribeiro

Chega-se ao sexto filme sobre o universo X-Man, onde os veteranos e os novatos estão presentes para um novo filme. Depois dos medonhos spin-off de Wolverine”(que nem é um personagem tão interessante para ter tantos filmes assim) e do mediano X-Man – Primeira Classe temos novamente um filme digno dos mutantes. Estou sendo sincero quando digo que o universo X-Man é o melhor da Marvel, pois não mostra heróis que mais prejudicam a cidade onde vivem do que ajudam, mas sim pessoas, como qualquer outra, que nascem com dons, fazendo assim uma metáfora muito bonita. Apesar de ter um carinho muito grande pela trilogia original (sim, o terceiro filme, dirigido por Brett Ratner, me agrada muito), admito a grandiosidade deste novo longa.

O futuro está imerso numa guerra onde os mutantes estão perdendo e quase sendo extintos, a única esperança a fazer com que ela acabe antes de começar. Cabe à Logan (Hugh Jackman) voltar ao passado para convencer ao Professor Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) a se unirem novamente, para impedir que Mística (Jennifer Lawrence) consiga realizar seu plano de deter o cientista Bolivar Trask (Peter Dinklage) e seu projeto “Sentinela” que ameaça a raça mutante, do contrário o futuro continuará devastado.

A coisa mais bizarra deste filme é o próprio diretor: Bryan Singer, cuja contribuição para a franquia terminou com X-Man 2. Ele, basicamente, esnoba as produções anteriores, fazendo que possamos o imaginar dizendo: “Vocês podem ter feito alguns filmes antes, mas eu não estou nem aí. Eu sou Bryan Singer, eu voltei e vou fazer do jeito que eu quero”. Tanto é que muitos personagens dos filmes anteriores foram esquecido sem nenhuma explicação; normalmente eles morrem, mas nestes eles simplesmente não aparecem. Os poucos ponto negativos do filme são pela lógica estabelecida, pois trata-se uma obra sobre viagem no tempo e esse sempre foi um tema delicado no cinema e quase sempre fracassam em tentar explicar algo em que o próprio roteiro se perde (Looper – Assassinos do Futuro, é um exemplo de que nem todos os cineastas devem se aventuras pelas leis físicas). Devido a esse problema temporal fica confuso saber o que os personagens fizeram, estão fazendo ou farão. Porém, ao contrário de muitos outros longas, este novo trabalho de Singer tem uma explicação elegante para a viagem no tempo, entretanto essa explicação pertence à personagem Shadowcat (Ellen Page) que tem o poder de atravessar paredes, então...como o dom dela tem relação em transportar pessoas para o passado? Portanto, se formos nos ater à lógica da viagem no tempo estaríamos fugindo da proposta do filme, que vai muito mais além.

O elenco é recheado de estrelas, já que temos, de certa forma, dois filmes misturados. Halle Berry volta como Tempestade (ela tem pouco tempo em cena devido sua gravidez nas filmagens, mas ainda me pergunto o porquê desse personagem não ter um filme solo, já que ele é tão interessante); Shawn Ashmore retorna, competentíssimo, como o Homem de Gelo; Patrick Stewart e Ian McKellen também voltam como Xavier e Magneto das antigas, ótimos desde sempre, além de Daniel Cudmore como Colossus e Anna Paquim como Vampira (está última está, por alguma razão, inserida nos créditos finais principais, mas aparece por uns 3 segundos). Já do “Primeira Classe” Nicholas Hoult é o Fera na juventude e Lucas Till retorna em uma pequena participação. Não tem muito que falar do elenco, todos estão muito competentes, o quinteto principal está extraordinário, destaque mais uma vez para Jackman que sempre será a personificação perfeita de Wolverine.

Além do elenco muito bem escalado temos um humor muito mais trabalhado, é tão sutil que chega a ser hilário, ele contribui para o andamento da trama, ou seja, não são apenas cenas vazias que fazem você rir estupidamente (tal como o humor imbecil da trilogia Homem de Ferro, Os Vingadores e O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro).

E se anteriormente digo que o elenco é todo competente e não tenho como dizer quem é o melhor, devo conceder uma ressalva para Evan Peters que faz um Mercúrio único; sua participação não ultrapassa 20 minutos, mas cada segundo é surpreendente, sua cena principal é inteligente, engraçada e eficaz; aconselho apenas que Aaron Taylor-Johnson tenha um inspiração enorme na sequência de Os Vingadores para poder ser comparado com seu colega (curiosamente os dois já trabalharam juntos em Kick-Ass).

Em questões técnicas o filme é primoroso, os efeitos especiais, som, fotografia e trilha sonora são ótimos. O figurino faz um mescla interessante do futuro com o passado, este último muito melhor representado e fiel, principalmente pelas roupas de Xavier. Mas a montagem de John Ottman é fenomenal, principalmente no terceiro ato do filme. Mas devo condenar o 3D que não serve para nada, na verdade empobrece visualmente a obra. Já a direção de arte (ou design de produção) não é tão criativo, as cenas iniciais lembram muito O Exterminador do Futuro e a construção dos Sentinelas é parecidíssima com o personagem metálico de Thor.

Aliás, este terceiro ato é para colar qualquer um na cadeira de ansiedade, o rumo da história é tão angustiante e as cenas de ação são muito bem construídas, tanto é que a luta final dos mutantes do futuro chegam a fazer o espectador chorar pelo que ele está vendo. E se estamos falando de lágrimas, seria um crime não citar a cena final, onde é impossível – quem acompanhou a franquia no cinema – não sentir um sorriso chegando ao canto da boca, revelando um lado sentimental na direção de Bryan muito superior que seus últimos trabalhos. Com certeza Bryan Singer é um diretor competente, assim como experiente, autoritário e um tanto quanto fresco (como a sua revolta injustificável por terem matado o personagem Ciclope no terceiro filme, interpretado perfeitamente por James Marsden), apesar de tudo ninguém faz X-Man como ele, pois ouso dizer que este é o melhor filme já feito para os mutantes (culpo-me por tirar este posto de X-Man 2). E muito já se tem dito sobre os próximos filmes. Já sabemos, por exemplo, que Evan Peters retornará e que Channing Tatum será o novo Gambit, porém, esqueçam essa história de o Wolverine se juntar aos Vingadores (Vingadores ainda são da Marvel e os X-Man, assim como o Homem-Aranha, é da Sony agora, e duvido que entrem num acordo sobre isso). Por essa batalha de nomes, que a Sony precisa aproveitar todas as oportunidades para explorar o universo dos mutantes, e nada mais perfeito que fazer tudo de novo, evitando as besteiras que já fizeram. Pois com o final deste filme memorável abre-se de novo os olhares, os personagens queridos e os horizontes para uma nova era X-Man.
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