Joe Brody (Bryan Cranston) e sua
esposa, Sandra (Juliette Binoche)
têm uma vida atarefada, já que precisam dividir a atenção com seu filho e seu
trabalho numa usina nuclear japonesa. Nesta que um dia ocorre um acidente que
acaba por tirar a vida de Sandra, assim Joe é obrigado a criar sozinho o filho.
Quinze anos depois da catástrofe e Joe insiste em dizer que o ocorrido não foi
um fenômeno natural e sim uma ameaça muito maior, o duelo de raças de monstros
que um dia dominaram o planeta.
Os primeiro quinze minutos
do filme são fantásticos, nunca os créditos iniciais de um longa foram tão
interessantes e tal empolgantes como os deste filme; são nesses minutos
iniciais que toda a premissa do filme é tecida, e de fato, ela é muito forte e
extremamente convincente; quando tudo for explicado no filme, é possível que o espectador
se pegue pensando: “Nossa, isso podia ter acontecido mesmo!”; uma vez que o
roteiro investe, de um forma impecável, na união de acontecimentos verídicos (como os
testes nucleares americanos) com o grande monstro em questão.
O problema é que a
criatividade para por aí, mais especificamente quando Aaron
Taylor-Johnson, assume o papel de protagonista como o filho de Joe Brody. É
impressionante como várias coisas começam a desandar depois disso, já que Aaron
é muito inexpressivo e não carrega bem o filme, ele deveria voltar a combater o
crime dos quadrinhos, como faz em Kick-Ass, do que combater répteis
geneticamente alterados pela radiação. Além disso, o roteiro insiste em dizer
que o romance do protagonista com Elizabeth
Olsen (uma
atriz muito boa, mas que não tem utilidade nenhuma neste filme) é mais
interessante do que vermos um monstro gigante na cidade; a história dos dois é
tão presente quer chega a ser entediante ver qualquer um desses personagens em
cena. Além destes temos Ken
Watanabe e Sally
Hawkins que só fazem caras e bocas de surpresos e estupefatos todas
as vezes que a situação piora.
É possível que o cineasta
tenha se inspirado em Guillermo del Toro e no último filme deste (Círculo de Fogo), pois vários erros que existem neste
filme também existem no novo Godzilla (como o fato de grande parte das cenas de
batalha serem filmadas a noite, o que prejudica muito a visão do espectador
para com as tomadas, sendo ainda piores em 3D).
Mas o diretor, que teve como seu filme de estreia: Monstros (que é muito
bom, por sinal), tinha tudo para comandar muito bem esse novo filme, e de certa
forma o fez. O longa tem seu começo e fim muito bem feitos, com dozes de ação
bem aceitáveis e um ritmo legal; entretanto é no segundo ato que mora o perigo.
Começamos falando do tempo enorme que o diretor demora em nos mostrar o monstro,
não que isso seja ruim, pois adiar o suspense é interessante e funciona bem,
neste caso; porém é preciso que o tão aguardado momento seja intenso, coisa que
não acontece. Quando Godzilla finalmente aparece ele faz uma entrada triunfal e
rapidamente desaparece, este fenômeno acontece repetidas vezes no filme. O
diretor, literalmente, fecha a porta na cara de quem quer ver o monstro. Isso é
frustrante, pois o espectador “perde”, pelo menos, duas cenas de batalha que
seriam muito empolgantes.
Pessoalmente não gostei de como o monstro foi criado, ele se parece muito
com a versão de 1954 e isso não é um elogio, pois o Godzilla original era uma
fantasia e este é feito com computação gráfica, então não faz sentido eles se
parecerem tanto. Óbvio que a versão de 2014 é muito mais trabalhada e melhor
arquitetada do que o primeiro, mesmo assim soa um tanto patético eles se
parecerem tanto, junto a isso está o design dos serem inimigos, que é, no
mínimo, estranho.
Porém a história em que Godzilla está incluído pode parecer meio tosca,
pois as duas criaturas que o monstro luta durante o filme todo são muito vagas
(alimentam-se de radiação, precisam de um ninho porque a fêmea está penha, não
sei como, mas está. Também não se sabe de onde estas bestas vieram, como
chegaram aqui, e o porquê este réptil enorme os odeia tanto), ou seja, o
argumento do filme é pouco convidativo. É uma pena, pois os roteiristas criaram
uma premissa tão boa, mas não conseguiram criar uma trama que se igualasse.
Godzilla é bonzinho agora, mas é que essas borboletas gigantes invadiram seu
território e o acordaram de seu sono, e isso ele não permite, eles precisam saber
com quem estão lidando (!).
Ignore também as cenas estúpidas que Edwards coloca no filme,
como o menino encontrando sua família entre milhares de pessoas e a cena de
carinho entre as mariposas mutantes.
Devido ao grande sucesso de bilheteria o filme terá uma continuação, e
isso pode ser bom, porque o filme tem um potencial alto e que deve ser aproveitado,
então uma sequência seria perfeita para esse filme que cumpre seu papel. Mas
não queremos mais do mesmo; queremos Godzilla com uma história a sua altura.
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