Neste texto, tentarei não comparar a franquia de Sam Raimi com a de Marc Webb, mas verdade seja dita que “Homem-Aranha 2” é o melhor filme do herói e ponto final. Entretanto “O Espetacular Homem-Aranha” está no caminho para ser uma franquia satisfatória, talvez não seja esse o momento, porém, agora, existem motivos para, de fato, aguardar as sequências.
Peter Parker (Andrew Garfield) adora ser o herói da cidade, com toda a influência que esse personagem adquiriu perante os cidadãos. Seu amor em defender Nova Iorque é um ponto forte quando Electro (Jamie Foxx) surge como uma forte ameaça. Mas ser o Homem-Aranha em tempo integral pode prejudicar sua vida de diversas maneiras, tal como seu relacionamento com Gwen Stacy (Emma Stone) e sua tia May (Sally Field). Porém a vida de Peter tem uma reviravolta quando o retorno de seu amigo, Harry Osborn (Dane DeHaan), influência no destino que os pais de Parker tiveram.
Todos sabem que a história do “Homem-Aranha” nunca foi a mais original e nem a melhor de todas já contadas pela Marvel e devo frisar o quanto a fidelidade aos quadrinhos pode acabar com muita plausibilidade em um enredo (o último filme do “Capitão América” é um exemplo claro disso, pois escapar fazendo um buraco no asfalto, criar uma memória virtual que caiba pensamentos humanos e personagens que ressuscitam quando lhes é conveniente, é difícil de aceitar). Para os menos exigentes e para aqueles que são fissurados pela fidelidade à obra original (não sei porquê as pessoas ainda insistem em exigir isso quando sabem que literatura e cinema são artes diferentes e com visões distintas) o filme pode agradar, mas é dever de todos abrir os olhos para as bobagens que o filme carrega, assim como é preciso olhar seus pontos positivos.
Começando pelo amargo, permaneço com minha opinião que Andrew Garfield jamais deveria ter sido cogitado para esse papel, não que ele atue mal, pelo contrário, neste segundo capítulo está muito mais a vontade e infinitamente mais interessante do que no primeiro (onde chorava mais do que Tobey Maguire), o problema é que esse Homem-Aranha é muito vago, o roteiro insiste tanto em falar de seus pais que se esquece de contar a história do protagonista (ele se formou, foi para a faculdade que ninguém sabe qual é; trabalha como fotógrafo de vez em quando...), ou seja, temos a vida do herói da cidade e não do Peter, então não sei qual é o motivo de Andrew se dar ao trabalho de mostrar seu rosto. Perdoe-me os fãs, mas não consigo achar graça e tampouco necessidade das piadas e trocadilhos que o roteiro e quadrinhos insistem em colocar, chegam a irritar. Mas volto a falar de Garfield que sempre foi um ator competente, mas, vendo esta nova franquia, não posso deixar de sentir falta de sua dedicação, como Eduardo Severin em A Social, sua ausência no Oscar foi a vergonha da Academia em 2011. Mas se me estendi falando de Andrew, poupo palavras para Emma Stone que sempre foi uma atriz muito adorável e competente, seu sucesso é digno. Já Dane DeHaan sempre foi um jovem ator primoroso, porém ele tem feições cínicas e um olhar opressivo que se repetem em todos os seus trabalhos, portanto não há nada de tão genial em suas atuações recentes e muito menos neste filme. Tem-se também Jamie Foxx, que se esforça em fazer seu personagem parecer que é algo importante, entretanto é ele não pode fazer milagres; Foxx é um grande ator e mostra isso no filme, é uma pena ver seu talento tão mal aproveitado. Para encerrar esse número grande de personagem temos Paul Giamatti, Sally Field e Chris Cooper que não fazem nada o filme inteiro, a presença do primeiro é a escolha mais ridícula de todas.Muitos dos problemas podem ser explicados pelo inexperiente diretor Marc Webb, que é um cineasta muito novo neste meio e vem cometendo muitos erros, sua presença na direção é discutível, pois nem todos nasceram para dirigir filmes de ação.
Existem fatos no filme que incomodam muito aqueles que percebem, como a grande plateia assistindo a um atentado perigosíssimo de um vilão que controla a eletricidade; a doença mutante (que tem um nome complicado só para parecer mais perigosa) da família Osborn, que por algum motivo, que o filme não fala, é absurdamente maléfica; a motivação vingativa de Electro que não convence nem um pouco; o conhecimento enorme de Peter em construir um dispositivo que atira um material muitíssimo resistente semelhante a teia de aranha (fato esse que nunca fez sentido nenhum nos quadrinhos), mas que não tem o menor conhecimento de eletromagnetismo (um dos conteúdos mais estudados no Ensino Médio); e por fim a tão esperada relação dos pais de Peter com o roteiro, pena que esta teve um impacto quase nulo na história.
É impossível não se incomodar com a quantidade de acasos que o enredo possui, pois tudo sempre volta a girar em torno de uns 5 personagens, não importa o que aconteça. Os vilões são um problema deste filme, além de ter um número muito alto deles, eles são fracos em motivação. Electro, que é, obviamente, o vilão mais fácil de vencer (é só jogar água), mas que podia ser um personagem tão interessante, com todos seu problemas de não ser notado e sua devoção ao herói da cidade, porém ele toma uma rumo de capanga que é lastimável e seu destino é, no mínimo, “injusto”. Além Harry ter a fantasia e maquiagem mais pobres de todo o elenco, chega a ser risível sua presença em cena. As tomadas de ação duram poucos minutos e não são muito interessantes, ainda mais quando estão acompanhadas da que pode ser a trilha sonora mais medonha de toda a história da Marvel; a música insiste em dizer quando uma cena é triste e quando é cômica, a sinfonia é tão fraca que parece algum programa de entretenimento infantil. Quase impossível de imaginar que Hans Zimmer (não atribuam tanta fé neste nome) foi o criador deste desastre.
Apesar de tudo que escrevi até agora é provável que o leitor tenha a impressão de eu não ter gostado do filme, mas não se engane. O longa é um exagero cinematográfico que agrada a quem assiste, está longe de ser o melhor filme de qualquer coisa. Há cenas que são podem tocar os mais sensíveis, como a queda de Gwen e a teia em formato de mão, um clichê óbvio, mas muito bem utilizado.
O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (com o subtítulo que só existe em português e que é completamente descartável, já que Electro não é uma ameaça tão grande assim) é um filme divertido e competente dentro de seus padrões e ainda pode melhorar muito. Quem sabe um dia ele se torne uma franquia de grade respeito na indústria cinematográfica, mas por enquanto, colega, só nos resta esperar.
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