terça-feira, 5 de agosto de 2014

Crítica - Guardiões da Galáxia


Por Luis Ribeiro

Depois de um 2013 horrível para a Marvel (como o fraquíssimo Homem de Ferro 3 e o pobre Thor: O Mundo Sombrio), o estúdio não tem do que reclamar de 2014, já que Capitão América 2 – O Soldado Invernal foi um bom filme e agora apresenta um novo: Guardiões da Galáxia, que teve um ótima recepção nas bilheterias (a maior arrecadação da história de um filme lançado no mês de agosto) e com várias críticas positivas, mas não se enganem, porque é sim um filme falho, mas está longe de ser tão decepcionante quanto os solos da “Iniciativa Vingadores”, pelo contrário, está aqui para ensinar seus parceiros como pode ser bacana a adaptação dos quadrinhos quando sabe-se que é pura fantasia.

Peter Quill (Cris Pratt) é um jovem saqueador terráqueo que foi abduzido da Terra ainda criança. Para realizar um de seus saques ele precisa roubar uma esfera muito poderosa de onde está escondida, porém ele não sabe para que ela serve e que existem outros interessados nela; um deles é o temível Ronan (Lee Pace) que deseja o elemento para vingar seu povo. Tentando escapar com seu saque, Peter acaba apanhado por oficiais e forçado a se unir com um grupo de outros encarcerados, um roedor psicopata (Bradley Cooper), uma árvore humanoide (Vin Diesel), a protegida de Ronan, Gamora (Zoe Saldana) e um brutamonte prisioneiro (Dave Bautista) para recuperar a esfera e impedir os planos de Ronan.

É inegável dizer que se trata de um filme bom, uma vez que ele apresenta um ritmo muito interessante, são duas horas pouco cansativas; visual original e que vão agradar a todos. Porém, fechar os olhos para os problemas óbvios da trama seria ignorância, não que os erros comprometam o resultado final, entretanto é importante notar que não se trata do filme mais perfeito de super-heróis (longe disso), mas talvez seja o melhor filme da Marvel, apesar de não precisar muito para tal conquista ser feita.

Os problemas habitam nos pontos fortes na verdade, a relação de elenco e personagem é muito boa e os atores passam sua boa vontade para o espectador, é de fato muito perceptível e agradável quando os intérpretes possuem prazer pelo que estão fazendo; além disso, o elenco central é muito bem explorado em espaços na trama, todos têm seu momento perante as câmeras. Entretanto pouco se sabe sobre a origem dos personagens, suas motivações são jogadas no roteiro apenas para dizer que existem.

O filme é dirigido por James Gunn (Seres Rastejantes), que também assina o roteiro ao lado de Nicole Perlan, a primeira mulher a escrever um roteiro para um filme da Marvel, cumprem muito bem seu papel em criar uma atmosfera mais leve e fazer com que o filme deboche de si mesmo (no bom sentido), pois a própria trama é uma sátira dos filmes de super-heróis até o momento. Gunn foi ousado em optar por uma estética bem mais colorida (óbvio que contou com a ajuda da equipe de efeitos visuais e design de produção), o filme é bem colorido, lembrados as cores das histórias em quadrinhos. O curioso é que o visual da obra não lembra em nada Capitão América, Thor ou Homem de Ferro, mas todos esses filmes irão se entrelaçar na fase três da Marvel, e com características tão distintas só nos resta aguardar se o resultado será agradável.

Algo que sempre me desagradou nos épicos espaciais é que não importe e quão complexa seja a civilização de outro planeta de outra galáxia, os seus habitantes vão ter conhecimento de tecnologia de armas de fogo, o seu mundo terá um campo gravitacional igual ao da Terra, terão características físicas muito semelhantes a dos humanos (dois braços, duas pernas, cabelo), existirá atmosfera em qualquer lugar do universo e etc. Ou seja, é muito fácil para qualquer ser humano se adaptar em qualquer lugar do mundo (porque óbvio que os alienígenas irão falar inglês); claro que isso não justifica minha crítica ao filme, mas acredito que faltou um pouco de criatividade (ou recursos) para construir os seres extraterrestes, que apresentam apenas cores da pele e dos olhos diferentes das dos humanos (salvo o elenco central que de fato possui alguma relevância), na verdade, não é possível acreditar que Peter Quill é o único ser oriundo do planeta Terra do filme todo. Talvez se a produção tivesse investido menos nos efeitos visuais (que são bem invasivos, diga-se de passagem) e se dedicado mais à maquiagem dos personagens o resultado, possivelmente, tivesse sido ainda melhor, mas esse mesmo elemento é muito competente dentro do possível, todavia sempre o que é bom pode ficar melhor.

E se os Guardiões são o centro das atenções durante a exibição é possível que estes tenham desfocado seus colegas em cena (por que Djimon Houson, Benicio Del Toro e Glenn Close, todos já indicados ao Oscar, foram escalados para o elenco?). Também é pouco irritante as suposições que o enredo fornece de um possível romance entre Quill e Gamora, que nunca vai para frente. Mas se Ronan é um vilão fraco, cuja sua motivação é monótona e que de fato não passa uma ideia de medo para ninguém, já que aparece pouco em cena, o mesmo não pode ser dito sobre o personagem Rocket Raccon, dublado brilhantemente por Cooper, que é de longe o melhor personagem do filme todo, pois consegue ser engraçado e construir um pensamento complexado pelas realidades a sua volta; e como não gostar de Groot, que com 3 palavras, olhos expressivos e feições carinhosas consegue emocionar os mais críticos.

Apesar de ter uma trilha sonora original as músicas dos anos oitenta são o grande trunfo, certamente existirão espectadores com vontade de baixar toda a discografia da banda mesmo não sabendo seu nome; as canções de outras décadas dão um toque moderno e ao mesmo tempo clássico ao filme, principalmente com a figura do tocador de fitas do protagonista.

E desde cedo era sabido que se tratava de uma comédia e não vou mentir e dizer que não ri de algumas piadas durante a projeção (como o fato de o povo de Drax não entender metáforas), mas há vezes em que os personagens tentam demais ser engraçados com as frases de efeitos mal colocadas e danças que faz com que sintamos mais vergonha do que alegria em algumas tomadas. E para um roteiro tão preocupado com o desenvolvimento da trama é decepcionante assistir a falta de cautela de como é tratada a esfera que possui um poder avassalador, sabe-se lá de onde veio e de como se tornou tão poderosa, mas que é relativamente fácil de ser roubada.

Mas a melhor coisa de todo o filme é o fato de ele ser diferente dos demais do gênero, digo isso porque os filmes desta temática tentam, ridiculamente, ter alguma relação com a realidade e com a plausibilidade, como se fosse possível um homem sobreviver com estilhaços perto de seu coração ou ficar vivo depois de uma quantidade enorme de radiação ser exposta a um corpo comum, mas nada disso importa, já que nos quadrinhos todo o mundo morre e ressuscita várias vezes. Mas esta nova adaptação não tem a menor preocupação com a coesão com a realidade, o roteiro sabe que aquilo jamais será verdade e não se esforça nem um pouco para isso, tornando-se algo genial e merecedor de palmas assistir algo tão inteligente.

Portanto eu diria que Guardiões da Galáxia é filme competente, interessante, bem humorado e absolutamente fantasioso. Apesar de ter problemas em sua estrutura, nenhum deles compromete de forma alguma a experiência bem agradável de ver esse filme novo da Marvel, são obras como essas que me fazem repensar meus conceitos depreciativos dos filmes de super-heróis.
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Um comentário:

  1. E os cliches?
    O fato de você assistir 10 minutos de filme e já saber o final não é importante na critica?

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