Um novo fôlego da franquia surgiu com esta nova etapa, depois de desastrosos filmes que foram feitos na franquia mais recente, uma nova trilogia foi iniciada com muito mais ambição e competência dos realizadores. Embora nunca tenha sido um fã devoto do universo proposto por George Lucas, iniciado convenientemente no apogeu da Corrida Especial; contento-me em ter conferido esta nova proposta. Até aqueles que não são os maiores adoradores da saga, certamente, ansiavam por este novo episódio, afinal, não deixa de ser o novo trabalho de J. J. Abrams.
Anos de espera valeram a pena para compor o filme que, de longe, é o melhor já feito dentre todos os demais. Isso se vale pelo fato de Abrams ser um diretor muito mais competente do George Lucas, e isso não faz este último um mau cineasta, mas ficou evidente de que Abrams foi uma escolha mais prudente para assumir o comando da produção.
Era essencial que um fã da franquia, como Abrams, fosse o responsável pelo comando da empreitada, ninguém mais teria a mesma fórmula na composição não só visual, mas narrativa também. Pois, além de J. J, Lawrence Kasdan e Michael Arndt foram os criadores do roteiro, mostrando, novamente, uma maturidade em não contar uma história voltada a temas infantis e se manter sempre correto e funcional. Funcional porque o filme jamais soa exagerado ou pouco sutil, os milhares de dólares investidos foram muito bem canalizados e nenhum excesso é percebido pelo espetador.
O respeito pela série original se mostra logo na primeira cena, onde a costumeira marca do filme é exibida e acompanhada pela inconfundível melodia tema para logo dar espaço ao texto da premissa em que o filme se encontra. E neste caso, a Primeira Ordem está ganhando força como uma organização que visa a destruição da forma de governo da República, mas o último jedi remanescente, Luke Skywalker, está desaparecido, mas existe um mapa que pode levar a Resistência até ele, para que então o herói possa ajuda-los a eliminar a tirania da Primeira Ordem.
De fato, original ou novo o filme não é. Este trabalho acompanha muito a estética de seus antecessores (até mesmo as transições nas verticais, horizontai, diagonais e íris se fechando que apresentam a próxima cena, estão aqui). Isto é, ainda veremos aquela infinidade de planetas que se baseiem em ser versões da Terra com algumas características específicas para defini-los (planetas com desertos, planetas com montanhas, planetas com árvores) e lembrando que se o ambiente não estiver vinculado à uma nave espacial ou cenários de prédios políticos ele VAI parecer um mercado negro com dúzias de alienígenas vigaristas e miseráveis.
E muito embora falte algo novo neste novo episódio, quem disser que o design de produção de Rick Carter e Darren Gilford é ruim estará mentindo, não só pela caracterização do novo vilão, que se assemelha a Vader, mas possui sua identidade inabalada. Além da criação da cena de Kylo e seu pai que faz uma referência a famosíssima cena entre Luke e Anakin. E numa produção com tanto dinheiro investido é de dar méritos à produção de arte em não tonar seu trabalho invasivo.
É o desenvolvimento dos personagens que faz com que o episódio VI seja tão superior aos seus antecessores, porque, verdade seja dita, a trama de cada um na história não era o foco de Lucas e companhia. Mas Abrams adora dar emoções aos seus personagens e aqui não foi diferente, apostando mais uma vez em um vilão que age por questões emocionais.
E mais uma vez o ressuscita elementos que não funcionaram nas versões passadas, como a inútil tentativa de um personagem do lado das trevas ser tentado a ser convertido para o lado correto. Trata-se de uma jogada muito apelativa e que pode não incomodar tanto aqui, mas o fato de existir é um problema.
Mas O Despertar da Força ganha méritos ainda por seu elenco, protagonizado (não por acaso!) por uma mulher, um negro e um latino, isso ainda sem falar que a “donzela” do filme salva boa parte dos homens várias vezes e sabe correr sem ter um homem a segurando pelas mãos. John Boyega é sublime em sua interpretação, ele possui um time para as piadas que baseia o bom humor do filme, sempre bem aplicado, e se converte muito bem nas cenas que exigem uma caracterização mais dramática e corajosa também. A pequena participação, embora muito boa, de Oscar Isaac também transforma seu personagem em um membro verdadeiro da Resistência, não servido apenas como o galãzinho como Harrison Ford pareceu ser até seu dado momento como um dos protagonistas. Mas é Daisy Ridley que rouba a cena, a jovem inglesa tem tudo sob controle em todas as suas cenas, é perceptível a sua determinação e entusiasmo na interpretação que dedicou. Ford, Carrie Fisher (horrível, como sempre) e Adam Driver surgem também em cena.
Saber dirigir atores não é só mais uma das vantagens de Abrms, pois este também sabe como construir um romance na trama, apenas insinuando uma atração, sem que ele tome conta consideravelmente da narrativa e não se baseie em flertes de amor e ódio e amantes desafortunado. Ou seja, o diretor não só aprende com seus erros, mas também com os dos responsáveis anteriormente pela franquia. Servindo também como exemplo a eliminação de raios laser da cor vermelha para os vilões e azul ou verde para os mocinhos.
E sim, na fotografia de Daniel Mindel, temos a marca registrada do diretor com seus vários flares, mas que de forma alguma soam exagerados ou incompatíveis. Elogios também a sonorização do exclusivo e magistral Ben Burtt. E ainda temos uma nova proposta de John Williams para a trilha do filme, o compositor que sempre é muito característico em seus trabalhos ousa aqui com algo mais sutil e resistindo em usar as melodias originais de forma leviana e superficial, um trabalho de mestre.
Os fãs da série tem muito o que comemorar com esta nova empreitada, um belo trabalho, embora com leves equívocos, para iniciar uma nova franquia que promete ser muito bem executada por esta nova equipe. Eu, que nunca fui um grande amante deste universo, espero com mais ansiedade o próximo episódio de Star Wars.
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